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	<title>Sanctam Ecclésiam Cathólicam</title>
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	<description>“Contra factum non argumentum est.”</description>
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		<title>Sanctam Ecclésiam Cathólicam</title>
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		<title>Magnae Dei Matris</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 03:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ecclésiam Cathólicam</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Documentos da Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Encíclica]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[CARTA ENCÍCLICA MAGNAE DEI MATRIS  DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIII A todos os Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos do Orbe Católico em graça e comunhão com a Sé Apostólica, sobre o Rosário de Nossa Senhora. Veneráveis Irmãos, Saúde e Bênção Apostólica. A devoção do Santo Padre a Maria 1. Todas as vezes que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ecclesiam.wordpress.com&amp;blog=6043237&amp;post=502&amp;subd=ecclesiam&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ecclesiam.files.wordpress.com/2012/01/popeleo13throne.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-503" title="Papa Leão XIII" src="http://ecclesiam.files.wordpress.com/2012/01/popeleo13throne.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<p align="center"><span style="color:#663300;"> <span style="font-size:small;"> CARTA ENCÍCLICA<br />
</span> <span style="font-size:medium;"> <strong><em>MAGNAE DEI MATRIS<br />
</em></strong></span></span> <span style="font-size:small;"> <span style="color:#663300;"> DE SUA SANTIDADE<br />
PAPA LEÃO XIII </span></span></p>
<p align="left">
<p align="left"><em>A todos os Veneráveis Irmãos Patriarcas,<br />
Primazes, Arcebispos,<br />
Bispos do Orbe Católico em graça<br />
e comunhão com a Sé Apostólica,<br />
sobre o Rosário de Nossa Senhora</em>.</p>
<p align="left"><em>Veneráveis Irmãos, Saúde e Bênção Apostólica. </em></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>A devoção do Santo Padre a Maria</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">1. Todas as vezes que nos é dado o ensejo de aumentar no povo cristão o culto e o amor à gloriosa Mãe de Deus, a Nossa alegria e a Nossa satisfação chegam ao auge. E isto porque a coisa não só é de per si importantíssima &#8211; e fecunda de bons frutos, mas também se harmoniza do melhor modo com os sentimentos mais íntimos do Nosso coração.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Sugada, na verdade, com o leite materno, depois a Nossa piedade para com Maria veio sempre crescendo e consolidando-se em Nós, com o passar dos anos. E isto porque a Nossa inteligência sempre mais claramente compreendia o quanto era digna de amor e de louvor aquela a quem ó próprio Deus amou em primeiro, e com tal afeto que a elevou acima de todas as criaturas, a enriqueceu dos dons mais magníficos, e a escolheu, enfim, para sua Mãe. Por outra parte, as numerosas e fúlgidas provas da sua bondade e benevolência para conosco &#8211; provas que Nós não podemos recordar sem a mais profunda gratidão e sem derramar lágrimas de emoção &#8211; aumentaram sempre mais em Nós esta piedade, e mais ardentemente a inflamaram.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Porquanto, no meio das muitas, variadas e terríveis vicissitudes que temos atravessado, sempre temos recorrido a ela, e para ela temos sempre volvido o Nosso olhar. E, depois de depositar no seu seio todas as Nossas esperanças e todos os Nossos temores, alegrias e tristezas, foi Nossa constante solicitude suplicá-la, para que se dignasse de, em todas as ocasiões, assistir-nos como uma mãe terníssima, e alcançar-nos, em troca, o singular favor de podermos testemunhar-lhe o Nosso afeto devoto e filial.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Quando, depois, por misterioso desígnio de Deus fomos chamado à Cátedra de S. Pedro, para representarmos na Igreja a própria pessoa de Jesus Cristo, aterrados com o peso enorme deste ofício, e não tendo nenhuma confiança nas Nossas próprias forças, com afeto ainda mais intenso solicitamos a divina assistência, mediante a maternal proteção da Virgem.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E o Nosso coração exulta em proclamar que, no curso de toda a Nossa vida, mas especialmente no exercício do Nosso Supremo Apostolado, a Nossa esperança nunca deixou de ser coroada ou pelo desejado êxito ou, ao menos, por um doce conforto. Após tal experiência, a Nossa esperança alça-se agora mais confiante, enquanto pedimos, com o seu favor e pela sua intercessão, graças ainda mais copiosas e mais importantes, para a salvação do rebanho cristão e para a maior glória da Igreja.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Justo é, pois, e oportuno, Veneráveis Irmãos, que dirijamos a todos os Nossos filhos palavras de incitamento &#8211; às quais ajuntareis a vossa exortação -a fim de que eles queiram celebrar o próximo mês de Outubro, consagrado à augusta Senhora e Rainha &#8220;do Rosário&#8221;, com redobrando fervor, igual às acrescidas necessidades dos tempos.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><em><strong>A audácia dos ímpios </strong></em></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">2. Já agora é de todos conhecidíssimo com quantos e quais meios de corrupção a malícia do mundo iniquamente se esforça por enfraquecer e por extirpar inteiramente dos corações a fé cristã e a observância da lei divina, que alimenta esta fé e a faz frutificar. E já por toda parte o campo do Senhor, como que talado por uma terrível peste, quase se asselvaja, pela ignorância da religião, pelo erro e pelos vícios. E o que é ainda mais doloroso é que aqueles que teriam o poder disso, antes, que disso teriam o sagrado dever, longe de porem um freio ou de infligirem justas penas a uma perversidade tão arrogante e culposa, muitas vezes, pelo contrário, parece que a tal audácia dêem incentivo, ou pela sua inércia, ou com o seu apoio.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Por isto, com bem razão deve contristar-nos que às escolas públicas tenha sido deliberadamente dada uma organização tal que consente que o nome de Deus seja nelas calado ou ali seja ultrajado; devemo-Nos entristecer com a licença, cada vez mais disfarçada, de imprimir ou pregar toda sorte de ultrajes contra Cristo, Deus e a Igreja. Nem é menos deplorável esse conseqüente langor e entibiamento da prática cristã, se não é uma franca apostasia da fé, certamente está próximo de vir a sê-lo; porque a prática da vida já agora não é mais aderente à fé. Quem considerar esta perversão e esta ruína dos interesses mais vitais, certamente não se admirará se por toda parte as nações vão gemendo sob o peso dos castigos divinos, e são consternadas pelo temor de calamidades ainda mais graves.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>Necessidade de praticar o Rosário</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">3. Ora, para aplacar a majestade de Deus ofendida, e para proporcionar o necessário remédio àqueles que tanto sofrem, certamente não há melhor meio do que a oração devota e perseverante, contanto que unida ao espírito e à prática da vida cristã. Para alcançarmos, pois, estes dois escopos, consideramos que o meio mais indicado é o &#8220;Rosário Mariano&#8221;. A sua poderosíssima eficácia tem sido experimentada e exaltada desde a sua bem conhecida origem; conforme notáveis documentos atestam, e como Nós mesmo, mais de uma vez, temos lembrado.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Quando a seita dos Albigenses -aparentemente paladina da integridade da fé e dos costumes, mas, na realidade, perturbadora e péssima corruptora dela &#8211; era para muitos povos causa de grande ruína, a Igreja combateu contra ela e contra as suas infames facções, não com milícias ou com armas, mas principalmente com a força do santo Rosário, que o patriarca S. Domingos propagou, por inspiração da própria Mãe de Deus. Assim, gloriosamente vitoriosa de todos os obstáculos, a Igreja, nessa como em outras tempestades semelhantes, proveu sempre com esplêndido êxito à salvação de seus filhos.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Por isto, na presente situação, que Nós deploramos como lutuosa para a religião e perigosíssima para a sociedade, é necessário que todos juntos &#8211; com piedade igual à dos nossos antepassados &#8211; roguemos e supliquemos a grande Mãe de Deus, para que, consoante os votos comuns, possamos alegrar-nos de haver experimentado igual eficácia do seu Rosário.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E, verdadeiramente, quando recortemos a Maria recorremos à Mãe da misericórdia; a qual está tão bem disposta para conosco, que em qualquer necessidade nossa, sobretudo nas espirituais, ela logo, espontaneamente, sem sequer ser invocada, vem em nosso socorro, e faz-nos participar desse tesouro de graça cuja plenitude ela desde o princípio recebeu de Mãe. Esta Deus, para que pudesse tornar-se sua digna superabundância de graça &#8211; o mais eminente dos seus outros inúmeros privilégios &#8211; é que eleva a Virgem muito acima de todos os homens &#8211; e de todos os Anjos, e a aproxima de Cristo, mais do que se aproxima qualquer outra criatura: &#8220;É coisa grande em qualquer santo o possuir tanta graça que baste para a salvação de muitos: mas, se ele a tivesse tanta que bastasse para a salvação de todos os .homens do mundo, isto seria o máximo; e isto se verifica em Cristo e na bem-aventurada Virgem&#8221; (S. Tomás, op. VIII, <em>Super Salutatione Angelica</em>).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>As ternuras de nossa Mãe Celeste</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">4. Difícil é, pois, dizer o quanto se torna agradável a Maria o nosso obséquio, quando a saudamos com louvor do Anjo, e depois repetimos o mesmo elogio, como que formando com ele uma devota coroa. Porque, a cada vez, nós como que despertamos nela a lembrança da sua sublime dignidade e da redenção do gênero humano, iniciada por Deus por meio dela: por conseqüência, nós também lhe recordamos esse divino e indissolúvel vínculo com que ela está unida às alegrias e às dores, às humilhações e aos triunfos de Cristo, em guiar e em assistir os homens para a salvação eterna. Jesus Cristo, na sua bondade, quis assemelhar-se a nós e dizer-se e mostrar-se filho do homem, e por isto nosso irmão, a fim de que mais luminosa nos aparecesse a sua misericórdia para conosco: &#8220;Em tudo ele teve de ser feito semelhante a seus irmãos, para se tornar misericordioso&#8221; (<em>Heb</em> 2, 17).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Assim Maria, pelo fato de haver sido escolhida como Mãe de Jesus, Nosso Senhor &#8211; que é ao mesmo tempo nosso irmão &#8211; teve, entre todas as mães, a singular missão de manifestar e de derramar sobre nós a sua misericórdia. Além disto, assim como nós somos devedores a Cristo de nos haver, de certo modo, tornado participantes do seu próprio direito de chamar e de ter a Deus por pai, assim também lhe somos igualmente devedores de nos haver amorosamente tornado participantes do seu direito de chamar e de ter Maria por Mãe.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E, visto como, por natureza, o nome de mãe é entre todos o mais doce, e no nome de mãe está posto o termo de comparação de todo amor terno e solícito, todas as almas piedosas sentem &#8211; embora a sua língua não consiga exprimi-lo &#8211; que uma imensa chama de amor condescendente e operoso arde em Maria, que, não por natureza, mas por vontade de Cristo, é nossa Mãe. Por isto ela vê e penetra, muito melhor do que qualquer outra mãe, todas as nossas coisas: as necessidades da nossa vida; os perigos públicos e particulares que nos ameaçam; as dificuldades e os mates em que nos debatemos; e sobretudo a áspera luta que devemos sustentar para a salvação da alma, contra inimigos violentíssimos.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E nestas, como em todas as outras angústias da vida, mais do que qualquer outro ela pode e deseja trazer a seus caríssimos filhos consolação, força, auxílio de todo gênero. Recorramos, pois, confiantes e alegres a Maria. Supliquemo-la por esses laços maternos com que ela está tão estreitamente unida a Jesus e a nós. E invoquemos com máxima devoção o seu poderoso auxílio, servindo-nos dessa fórmula de oração que ela mesma nos indicou e que lhe é tão grata. Então poderemos, com razão, repousar com coração tranqüilo e alegre sob a proteção da mais terna entre as mães.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>O Rosário reaviva a nossa fé </em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">5. Além do valor que o Rosário tira da própria natureza da oração, ele contém uma maneira fácil para fazer penetrar e inculcar nas almas os dogmas principais da fé cristã; o que certamente constitui outro título insigne de recomendação. De feito, é sobretudo pela fé que o homem direta e seguramente se aproxima de Deus e aprende a adorar com a mente e com o coração a imensa majestade desse Deus único, a sua autoridade sobre todas as coisas, o seu sumo poder, a sua sabedoria e a sua providência: &#8220;porquanto, quem se aproxima de Deus deve crer que Ele existe, e que é remunerador daqueles que o procuram&#8221; (<em>Heb</em> 11, 6). Mas, visto que o eterno Filho de Deus assumiu a natureza humana, viveu no meio de nós, e continua a ser para nós caminho, verdade e vida, por isto é necessário que a nossa fé abrace também os profundos mistérios da augusta Trindade das divinas pessoas, e do Filho unigênito do Pai, feito homem: &#8220;E a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo&#8221; (<em>Jo</em> 17, 3).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Em verdade, Deus nos deu um benefício inestimável quando nos deu esta santa fé; porque, por meio dela, nós não só nos elevamos acima de todas as coisas humanas, até nos tornarmos como que contempladores e participantes da natureza divina, mas adquirimos outrossim um direito, de mérito imenso, às eternas recompensas. De modo que se alimenta e se consolida em nós a esperança de que um dia poderemos contemplar a Deus, não mais através das pálidas imagens das coisas criadas, porém no seu pleno esplendor, e poderemos gozar eternamente d&#8217;Ele, nosso sumo bem. Mas o cristão é de tal forma empolgado pelas diversas preocupações da vida, e se inclina tão facilmente para as vaidades deste mundo, que, sem uma freqüente e salutar evocação, pouco a pouco esquecerá as coisas mais importantes e mais necessárias, e destarte a sua fé se esmorecerá e finalmente se extinguirá.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Para preservar seus filhos deste gravíssimo perigo da ignorância, a Igreja não descura nenhum dos meios que a sua vigilância e a sua solicitude lhe sugerem; e o Rosário em honra de Maria não é, certamente, o último que ela emprega para sustentar a fé. Com efeito, com a sua maravilhosa e eficaz oração, ordenadamente repetida, ele nos leva à recordação e à contemplação dos principais mistérios da nossa religião: em primeiro lugar, daqueles pelos quais &#8220;o Verbo se fez carne&#8221; e Maria, Virgem intacta e Mãe, lhe prestou com santa alegria os seus maternais ofícios. Vêm depois as amarguras, os tormentos, a morte de Cristo, preço da salvação do gênero humano.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Finalmente, são os mistérios gloriosos: o triunfo sobre a morte, a ascensão ao céu, a descida do Espírito Santo; o esplendor radiante de Maria assunta ao céu, e, por último, com a glória da Mãe e do Filho, a glória eterna de todos os Santos. E esta a ordenada sucessão de inefáveis mistérios no Rosário é freqüente e insistentemente evocada à memória dos fiéis, e como que desenrolada diante dos seus olhos; de modo que aqueles que rezam bem o Rosário têm a alma inundada por ele de uma doçura sempre nova, experimentam a mesma impressão e emoção que experimentariam se ouvissem a própria voz de sua dulcíssima Mãe, no ato de lhes explicar esses mistérios e de lhes dirigir salutares exortações.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Não poderá, pois, parecer excessiva a Nossa afirmação, se dissermos que a fé absolutamente não deve temer os perigos da ignorância e dos nefastos erros naqueles lugares, no seio daquelas famílias e no meio daqueles povos onde se mantém na primitiva honra a prática do Rosário.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>O Rosário, estímulo para obras santas </em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">6. Mas há outra utilidade, não menos importante, que do Rosário a Igreja espera para seus filhos, ou seja, a de empenhá-los em conformar a sua vida e os seus costumes às normas e aos preceitos da santa fé. De todos é conhecida a divina afirmação de que &#8220;a fé sem as obras é ineficaz&#8221; (<em>Tiago</em> 2, 20); porque a fé haure vida da caridade, e a caridade se manifesta numa floração de ações santas. Por isto o cristão certamente não tirará nenhum proveito da sua fé para a aquisição da eternidade, se por esta sua fé não houver inspirado a sua conduta. &#8220;Que adianta, irmãos meus, se um diz que tem fé, mas não tem as obras? Acaso poderá salvá-lo a fé?&#8221; (<em>Tiago</em> 2, 14).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Antes, tais cristãos serão por Cristo juiz bem mais asperamente exprobrados do que aqueles míseros que não conhecem nem a fé nem a moral cristã; porque estes últimos não crêem de um modo e vivem de outro, como sem razão fazem aqueles outros, mas, sendo privados da luz do Evangelho, têm uma certa atenuante, ou certamente a sua culpa é menos grave.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Ora, a contemplação dos mistérios propostos no Rosário ajuda a fazer brotar da nossa fé uma abundante e alegre messe de frutos, porque incita maravilhosamente a alma a propósitos de virtude. Ora, que sublime e esplêndido exemplo nos oferece, sob todos os aspectos, a obra de salvação realizada por Nosso Senhor Jesus Cristo! O grande, o onipotente Deus, impelido por um excesso de amor para conosco, abaixa-se até à condição do mais mísero homem; entretém-se conosco como um de nós; conversa fraternalmente, ensina os indivíduos e as multidões em toda ordem de justiça; mestre eminente pela sua palavra, Deus pela sua autoridade.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Mostra-se pródigo de benefícios para com todos; cura os que sofrem de moléstias corporais, e com misericórdia paternal leva alívio às moléstias, mais graves estas, da alma; de modo particular volve-se para aqueles que estão abatidos pela dor, ou estão oprimidos pelo peso das suas inquietações, e convida-os: &#8220;Vinde a mim, vós todos que estais fatigados e oprimidos, e eu vos consolarei&#8221; (<em>Mt</em>. 11, 28). Quando, pois, repousamos nos seus braços, Ele nos inspira algo desse místico fogo que Ele trouxe aos homens; infunde-nos amorosamente algo da mansidão e da humildade de sua alma; e deseja que, pela prática destas virtudes, nós nos tornemos participantes da paz verdadeira e estável, de que Ele é o autor. &#8220;Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis repouso para vossas almas&#8221; (<em>Mt</em>. 11, 29).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Todavia, em compensação de tanta luz de sabedoria celeste e da abundância de tão excepcionais benefícios, que deveriam granjear-lhe a gratidão dos homens, Ele sofreu o ódio e os insultos mais atrozes; sem embargo, quando, pregado na cruz, derrama todo o seu sangue, não tem desejo mais ardente do que este: por meio da sua morte regenerar os homens para a vida. Absolutamente não é possível que alguém considere e contemple atentamente estes belíssimos testemunhos de amor do nosso Redentor, sem arder de viva gratidão para com Ele.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Antes, a fé, se for autêntica, terá então um poder tal, que, iluminando a mente do homem e comovendo-lhe o coração, como que o arrastará a seguir as pegadas de Cristo, através de todos os obstáculos, até fazê-lo prorromper naquele protesto digno de Paulo: &#8220;Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a perseguição, ou a espada?&#8221; (<em>Rom</em>. 8, 35). &#8220;&#8230;já não vivo eu, mas vive em mim Cristo&#8221; (<em>Gal</em>. 2, 20).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>O Rosário nos revoca aos exemplos de Maria</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">7. Mas, para que nós, aterrados pela consciência da nossa natural fragilidade, não desfaleçamos em face dos exemplos verdadeiramente sublimes de Cristo, Deus e Homem, juntamente com os seus mistérios oferecem-se à nossa contemplação os mistérios de sua Mãe Santíssima. Ela descende, é verdade, da linhagem real de David; ruas da riqueza e do esplendor dos seus antepassados não lhe resta mais nada; leva uma vida obscura, numa humilde cidade, e numa casa ainda mais humilde; tanto mais satisfeito com a sua solidão e com a sua pobreza quanto pode, com coração mais livre, elevar-se a Deus, e unir-se totalmente ao seu sumo e desejadíssimo bem. Mas o Senhor está com ela, e cumula-a e a faz bem-aventurada da sua graça. E é justamente ela que o celeste mensageiro designa como a mulher da qual, por virtude do Espírito Santo, deverá vir para entre nós homens o esperado Salvador das gentes.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Quanto mais ela admira a sublime altura da sua dignidade, e por ela rende graças à onipotente e misericordiosa bondade de Deus, tanto mais se humilha e se julga destituída de toda virtude. E, enquanto se Lhe torna a Mãe, sem hesitação se proclama e se protesta sua escrava. E, conforme santamente prometeu, santa e prontamente estabelece desde então uma perpétua comunhão de vida com seu Filho Jesus, tanto na alegria como no pranto. Assim ela atingirá tal altura de glória qual nenhum homem nem Anjo poderá jamais atingir, porque ninguém poderá ser-lhe jamais comparado em virtude e em méritos. Assim, a ela caberá a coroa do Céu e da terra, porque ela se tornará a invicta Rainha dos mártires. Assim, na celeste cidade de Deus, ela se assentará, eternamente coroada, junto de seu Filho, porque constantemente, durante toda a sua vida, porém de modo particular no Calvário, beberá com Ele o cálice transbordante de amargura.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Eis, portanto, que a bondade e a Providência divina nos deu em Maria um modelo de todas as virtudes, todo feito para nós. Porque, considerando-a e contemplando-a, as nossas almas já não ficam ofuscadas pelos fulgores da divindade, senão que, atraídas pelos vínculos íntimos de uma comum natureza, com maior confiança se esforçarão por imitá-la. Se, amparados pelo seu eficaz auxílio, nós nos dedicarmos com todas as nossas forças a esta obra, certamente conseguiremos reproduzir em nós ao menos algum traço de tão grande virtude e santidade; e, depois de havermos imitado a sua admirável conformidade com as divinas vontades, poderemos juntar-nos a Ela no céu.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Se bem que a nossa peregrinação terrena seja áspera e eriçada de dificuldades, caminhemos intrépidos e corajosos rumo à meta. E, nas nossas penas, nos nossos trabalhos, não cessemos de estender pára Maria as nossas mãos súplices, dizendo com a Igreja: &#8220;A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas Eia, pois, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei! Dai-nos uma vida pura, preparai-nos uma trilha segura, para que possamos gozar eternamente da vida de Jesus&#8221; (<em>Da sagrada liturgia</em>). E ela, que, mesmo sem jamais a haver experimentado, conhece a fraqueza e a corrupção da nossa natureza, ela que é a melhor e a mais solícita de todas as mães, oh! como virá propícia e pressurosa em nosso auxílio! E com que ternura nos consolará! Com que força nos sustentará! Percorrendo a trilha, consagrada pelo Sangue de Cristo e pelas lágrimas de Maria, também nós chegaremos, segura e facilmente, à participação da bem-aventurada glória.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>Os exemplos da Sagrada Família </em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">8. Portanto, já que no Rosário de Maria Virgem estão bem e tão utilmente conjugados uma excelente fórmula de oração, um meio eficaz para conservar a fé, e um insigne ideal de virtude perfeita, bem justo é que os verdadeiros cristãos o tenham freqüentemente nas mãos, o rezem e o meditem piedosamente. De modo particular dirigimos esta exortação ao &#8220;<em>Sodalício da Sagrada Família</em>&#8220;, que recentemente recomendamos e aprovamos.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Se, de fato, o fundamento deste sodalício é o mistério do longo período de vida silenciosa e oculta de Cristo Senhor, entre as paredes da casa de Nazaré, para que as famílias cristãs se esforcem constantemente por modelar-se sobre o exemplo da Sagrada Família, divinamente constituída, logo aparece evidente a sua ligação particular com o Rosário: especialmente com os mistérios gozosos, que se encerram justamente quando Jesus, depois de mostrar a sua sabedoria no Templo, &#8220;veio&#8221;, com Maria e José, &#8220;para Nazaré, e lhes era sujeito&#8221;; como que assim preparando os outros mistérios com que mais de perto realizaria a obra de ensinamento e de redenção dos homens. Por tudo isto, compreendam todos os associados que diligência devem mostrar em cultivar e propagar a devoção do Rosário.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>Próximo Jubileu episcopal do Santo Padre</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">9. Por Nossa parte, ratificamos e confirmamos os favores das sagradas Indulgências concedidas nos anos precedentes àqueles que, de acordo com as prescrições estabelecidas, bem cumprirem a piedosa prática do mês de Outubro. Muito contamos, pois, Veneráveis Irmãos, com a vossa autoridade e com o vosso zelo, a fim de que, também este ano, seja ardente entre o povo católico o fervor e a santa emulação em honrar com o Rosário a Virgem, Auxiliadora dos cristãos.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E agora apraz-nos concluir a Nossa exortação tornando ao motivo inicial. Isto é, queremos de novo e mais claramente atestar o nosso reconhecimento pelos benefícios recebidos da Virgem Santíssima, e a Nossa alegria e esperança nela. E, depois, ao povo cristão, devotamente prostrado ante os altares de Maria, pedimos rezar pela Igreja, agitada por tão adversas e tempestuosas vicissitudes, e ao mesmo tempo rezar também por Nós, que, em idade tão avançada, cansado pelos trabalhos, a braços com as mais graves dificuldades, e privado de todo socorro humano, governamos o leme da mesma Igreja.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Sim, a Nossa esperança em Maria, Mãe poderosa e terníssima, torna-se em Nós cada dia mais segura e mais consoladora. E, enquanto à sua intercessão atribuímos todos os numerosos e assinalados benefícios que Deus nos tem concedido, com particular gratidão lhe atribuímos o de podermos, dentro em não muito, atingir o qüinquagésimo aniversário da Nossa ordenação episcopal.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Bem considerando, é deveras um grande benefício um tão longo período de ministério pastoral; mas o é sobretudo o havermo-nos podido dedicar, no meio de preocupações quotidianas, a guiar todo o rebanho cristão. Durante este tempo, na Nossa vida como na de todos os homens, como também nos mistérios de Cristo e de sua Mãe, não faltaram nem motivos de alegria, nem &#8211; mais freqüentemente &#8211; graves motivos de dor, nem, às vezes, motivos de alegre complacência, em Cristo. Coisas estas todas que Nós, com espírito de humildade diante de Deus e com gratidão, nos temos , aplicado a fazer reverter em bem e em honra da Igreja.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E agora, visto que o resto da vida não será diverso, se novas alegrias resplenderem, se novas dores sobrevierem, se algum raio de glória brilhar, Nós perseveraremos nas mesmas intenções e nos mesmos sentimentos. E, nada mais invocando de Deus senão a glória celeste, repetiremos com alegria as palavras de David: &#8220;Seja bendito o nome do Senhor; não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória&#8221; (<em>Salmos</em> 112, 2; 113, 1).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">De Nossos filhos, pois, tão devotos e tão afeiçoados, antes que felicitações e louvores ardentemente esperamos que elevem a Deus vivíssimas ações de graças, orações e votos. Contentíssimos ficaremos se eles nos obtiverem que esse pouco de vida e de forças que nos resta, o que temos de autoridade e de prestígio, possamos despendê-lo unicamente para o bem da Igreja; e, antes de tudo, para lhe reconduzir ao seio e reconciliar consigo os inimigos e os transviados, os quais a Nossa voz desde tanto tempo convida. Que da Nossa próxima alegria jubilar &#8211; se a Deus aprouver dar-no-la &#8211; possam todos os Nossos diletíssimos filhos recolher abundantes frutos de justiça, de paz, de prosperidade, de santidade, de todos os bens.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E isto que, com paternal amor, solicitamos de Deus, enquanto lhes recordamos estes seus santos avisos: &#8220;Escutai-me&#8230; e crescei como rosa plantada à beira das águas. Como incenso, exalai perfume suave. Fazei brotar flores como o lírio, e espalhai odor, e recobri-vos de amenas frondes. E cantai um cântico de louvor, e bendizei o Senhor por todas as suas obras. Dai glória ao seu nome, e louvai-o com o som dos vossos lábios e com os cantos dos lábios e com as cítaras&#8230; Com todo o coração e com toda a voz louvai e bendizei o nome do Senhor” (<em>Ecli</em> 39, 13 &#8211; 20, 41). 10.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Se estas exortações e estes votos encontrarem o escárnio dos homens perversos, que blasfemam tudo o que ignoram, perdoe Deus benignamente esses infelizes. De Nossa parte Lhe rogamos, pela intercessão da Rainha do santíssimo Rosário, dignar-se de favorecer com sua graça exortações e votos.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Vós, pois, Veneráveis Irmãos, em auspício de tal graça e como penhor da Nossa benevolência, recebei, nesse ínterim, a Bênção Apostólica, que com vivo afeto, no Senhor, concedemos a cada um de vós, ao vosso clero e ao vosso povo.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><em>Dado em Roma, junto a S. Pedro, a 8 de Setembro de 1892, décimo quinto ano do Nosso Pontificado.</em></p>
<p align="left">
<p align="center"><strong>LEÃO PP. XIII. </strong></p>
<p align="left">
<p align="center"><span style="color:#663300;font-size:small;">Copyright © <a href="http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_08091892_magnae-dei-matris_po.html">Libreria Editrice Vaticana</a></span></p>
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			<media:title type="html">Papa Leão XIII</media:title>
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	</item>
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		<title>Laetitiae Sanctae</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 03:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ecclésiam Cathólicam</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Documentos da Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Encíclica]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[Laetitiae Sanctae (8 de setembro de 1893)<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ecclesiam.wordpress.com&amp;blog=6043237&amp;post=497&amp;subd=ecclesiam&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ecclesiam.files.wordpress.com/2012/01/popeleo13.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-498" title="Papa Leão XIII" src="http://ecclesiam.files.wordpress.com/2012/01/popeleo13.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<p align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="color:#663300;">CARTA ENCÍCLICA<br />
</span> </span> <span style="color:#663300;font-family:Times New Roman;font-size:medium;"> <strong><em> LAETITIAE SANCTAE<br />
</em></strong></span> <span style="color:#663300;font-family:Times New Roman;"> DE SUA SANTIDADE<br />
</span> <span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> <span style="color:#663300;"> PAPA LEÃO XIII</span></span></p>
<p align="left">
<p align="left"><em>A todos os Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes,<br />
Arcebispos, Bispos do Orbe Católico<br />
em graça e comunhão com a Sé Apostólica,<br />
sobre o Rosário de Nossa Senhora. </em></p>
<p align="left"><em>Veneráveis Irmãos, Saúde e Bênção Apostólica. </em></p>
<p align="left"><strong><em>Gratidão do Papa para com Maria</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">1. A santa alegria que nos trouxe o feliz transcurso do quinquagésimo aniversário da Nossa sagração episcopal foi intensamente aumentada pelo fato de termos tido como participantes da Nossa alegria os católicos de todo o mundo, estreitados como filhos em torno do Pai, numa esplêndida manifestação de fidelidade e de amor. Nisto, com renovada gratidão, reconhecemos e exaltamos um desígnio da Divina Providência sumamente benévolo para conosco, e, ao mesmo tempo, assaz profícuo para a sua Igreja. Mas o Nosso ânimo sente-se impelido a saudar e louvar também a augusta Mãe de Deus, que deste benefício foi poderosa mediadora junto a Deus. A sua singular bondade, que no longo e mutável período da Nossa vida temos experimentado em vários modos eficaz, brilha cada dia mais manifesta diante dos nossos olhos, e, ferindo-nos suavissimamente o coração, robustece-o com confiança sobrenatural.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Afigura-se-nos ouvir a própria voz da Rainha do Céu, ora benevolamente encorajar-nos no meio das terríveis adversidades da Igreja, ora ajudar-nos, com largueza de inspirações, nas decisões a tomar para o bem comum, ora também advertir-nos a estimular o povo cristão à piedade e ao culto da virtude. já muitas vezes, no passado, fizemos para nós um grato dever de corresponder a estes desejos da Virgem. Ora, entre as utilidades que com a sua bênção recolhemos das Nossas exortações, justo é recordar o extraordinário desenvolvimento da devoção do seu santo Rosário, seja pelo incremento e pela constituição de confrarias sob este título, seja pela divulgação de escritos doutos e oportunos, seja também pela inspiração dada a verdadeiras obras-primas artísticas.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>O Rosário e os males do nosso tempo</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">2. E hoje, como que acolhendo a mesma voz da amorosíssima Mãe, com a qual ela nos repete: &#8220;Clama, nunca te canses&#8221;, apraz-nos tornar a falar-vos, Veneráveis Irmãos, do Rosário mariano, agora que se aproxima o mês de Outubro: mês que quisemos consagrado a esta cara devoção, e que enriquecemos com os tesouros das santas indulgências. A Nossa palavra, todavia, não terá o fim imediato de tributar novos louvores a uma oração já, por si mesma, tão excelente, nem de estimular os fiéis a praticá-la com sempre maior fervor; falaremos, antes, de algumas preciosíssimas vantagens que dela podem derivar, o mais possível correspondentes às condições e às necessidades dos homens e dos tempos presentes. Porque estamos absolutamente convencido de que, se a prática do Rosário for retamente seguida, de modo a poder ostentar toda a eficácia que lhe é intrínseca, não somente aos simples indivíduos, mas também a toda a sociedade, trará a maior utilidade.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">3. Sabem todos o quanto Nós, pelo dever do Nosso supremo apostolado, nos temos aplicado a contribuir para o bem da sociedade, e o quarto ainda estamos disposto a fazê-lo, com o auxílio de Deus. Com freqüência temos advertido os governantes a não fazerem e a não aplicarem leis que não sejam conformes à mente divina, norma de suma justiça. E, por outra parte, mais de uma vez temos exortado aqueles cidadãos que, ou por inteligência, ou por méritos, ou por nobreza do sangue, ou por haveres, estão em posição de privilégio em relação aos outros, a defenderem e a promoverem, em união de entendimentos e de forças, os supremos e fundamentais interesses da sociedade.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">4. Mas, na estado presente da sociedade civil, sobejas são as causas que debilitam os ligames da ordem pública e desviam os povos da justa honestidade dos costumes. Todavia, os males que mais perigosamente minam o bem comum parecem-nos ser principalmente os três seguintes: &#8220;aversão à vida humilde e laboriosa; o horror ao sofrimento; o esquecimento dos bens futuros, objeto das nossas esperanças&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>A aversão ao viver moderno</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">5. Lamentamos &#8211; e conosco devem reconhecê-lo e deplorá-lo mesmo aqueles que não admitem outra regra senão a luz da razão, nem outra medida afora a utilidade, &#8211; lamentamos que uma chaga verdadeiramente profunda tenha ferido o corpo social desde quando se começou a descurar os deveres e as virtudes que formam o ornamento da vida simples e comum. De fato, daí se segue que, nas relações domésticas, os filhos, intolerantes de toda educação que não seja a da moleza e da volúpia, recusam arrogantemente a obediência que a própria natureza lhes impõe. Por esse mesmo motivo os operários se afastam do seu próprio mister, fogem do labor, e, descontentes com a sua sorte, levantam o olhar a metas demasiado altas, e aspiram a uma inconsiderada repartição dos bens.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Ao mesmo tempo dai se segue o afanar-se de muitos que, depois de abandonarem o torrão natal, buscam o bulício e as numerosas seduções da cidade. Por este motivo ainda, veio a faltar o necessário equilíbrio entre as classes sociais; tudo é flutuante; os ânimos são agitados por invejas e rivalidades; a justiça é abertamente violada; e aqueles que foram iludidos nas suas esperanças procuram perturbar a tranqüilidade pública com sedições, com desordens e com a resistência aos defensores da ordem pública.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>As lições do mistérios gozosos</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">6. Pois bem: contra estes males pensamos que se deve buscar remédio no Rosário de Maria, composto de uma bem ordenada série de orações e da piedosa contemplação de mistérios relativos a Cristo Redentor e a sua Mãe. Expliquem-se de forma exata e popular os mistérios gozosos, apresentando-os aos olhos dos fiéis como outros tantos quadros e vivas figurações das virtudes. E assim cada um verá que fácil e rica mina eles oferecem de ensinamentos aptos para arrastar com maravilhosa suavidade as almas à honestidade da vida.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">7. Eis diante do nosso olhar a Casa de Nazaré, onde toda santidade, a humana e a divina, colocou a sua morada. Que exemplo de vida comum! Que perfeito modelo de sociedade! Ali há simplicidade e candura de costumes; perpétua harmonia de almas; nenhuma desordem; respeito mútuo; e, enfim, o amor: mas não o amor falso e mendaz, e sim aquele amor integral, que se alimenta na prática dos próprios deveres, e tal que atrai a admiração de todos.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Ali não falta a solicitude de se proporcionar a si mesmos tudo quanto é necessário à vida, mas com o &#8220;suor da fronte&#8221;, e como convém àqueles que, contentando-se com pouco, se esforçam antes por diminuir a sua pobreza do que por multiplicar os seus haveres. E, sobre tudo isto, reina ali a maior serenidade de ânimo e alegria de espírito: duas coisas que sempre acompanham a consciência do dever cumprido.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">8. Ora, estes exemplos de modéstia e de humildade, de tolerância da fadiga, de bondade para com o próximo e de fiel observância dos pequenos deveres da vida quotidiana, e, numa palavra, os exemplos de todas estas virtudes, assim que entram nos corações e nele se imprimem profundamente, certamente produzem nele pouco a pouco a desejada transformação dos pensamentos e dos costumes.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Então os deveres do próprio estado não mais serão nem descurados nem considerados enfadonhos, mas serão, antes, agradáveis e deleitáveis; e a consciência do dever, imbuída de senso de alegria, será sempre mais decidida no obrar o bem.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Por conseqüência, os costumes tornar-se-ão mais brandos sob todos os aspectos; a convivência familiar transcorrerá no amor e na alegria; as relações com os outros serão pautadas por um maior respeito e caridade. E, se estas transformações se estenderem dos indivíduos às famílias, às cidades, aos povos e às suas instituições, é fácil ver que imensas vantagens devam daí derivar para a sociedade inteira.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>A aversão ao sacrifício</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">9. O segundo mal funestíssimo, que Nós nunca deploraremos bastante, porque ele sempre mais difusa e ruinosamente envenena as almas, é a tendência a fugir da dor e a afastar por todos os meios as adversidades.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">De feito, a maioria dos homens não consideram mais, como deveriam, a serena liberdade de espírito como um prêmio para quem exercita a virtude e suporta vitoriosamente perigos e trabalhos; mas excogitam uma quimérica perfeição da sociedade, em que, removido todo sacrifício, se deparem todas as comodidades terrenas.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Ora, este agudo e desenfreado desejo de uma vida cômoda debilita fatalmente as almas, que, mesmo quando não se arruínam totalmente, ficam, sem embargo, tão enervados, que primeiro cedem vergonhosamente em face dos males da vida, e depois sucumbem miseravelmente.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>As lições dos mistérios dolorosos</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">10. Pois bem: ainda contra este mal é bem justificado esperar-se do Rosário de Maria um remédio que, pela força do exemplo, pode grandemente contribuir para fortalecer os ânimos. E isto se obterá se os homens, desde a sua primeira infância, e depois constantemente em toda a sua vida, se aplicarem, no recolhimento, à meditação dos mistérios dolorosos.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Através destes mistérios vemos que Jesus, &#8220;guia e aperfeiçoados da fé&#8221;, começou a fazer e a ensinar, a fim de que víssemos n&#8217;Ele próprio o exemplo prático dos ensinamentos que Ele daria à nossa humanidade, acerca da tolerância da dor e dos trabalhos; e o exemplo de Jesus chegou a tal ponto, que, voluntariamente e de grande coração, Ele mesmo abraçou tudo o que há de mais duro de suportar.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Com efeito, vemo-lo como um ladrão, julgado por homens iníquos, e feito alvo de ultrajes e de calúnias. Vemo-lo flagelado, coroado de espinhos, crucificado considerado indigno de continuar a viver, e merecedor de morrer entre os clamores de todo um povo.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Consideremos a aflição de sua santíssima Mãe, cuja alma não foi somente roçada, mas verdadeiramente &#8220;traspassada&#8221; pela &#8220;espadácia dor&#8221;- de modo que ela mereceu ser chamada, e realmente se tornou, a Mãe das dores.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">11. Todo aquele que se não contentar com olhar, porém meditar amiúde exemplos de tão excelsa virtude, oh! como se sentirá impelido a imitá-los! Para esse, ainda que seja &#8220;maldita a terra, e faça germinar espinhos e abrolhos&#8221;, ainda que o espírito seja oprimido pelos sofrimentos, ou o corpo pelas doenças, nunca haverá nenhum mal causado pela perfídia dos homens ou pelo furor dos demônios, nunca haverá calamidade, pública ou privada, que ele não consiga superar com paciência.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">É, pois, realmente verdadeiro o dito: &#8220;É de cristão fazer e suportar coisas árduas&#8221;; porque todo aquele que não quiser ser indigno desse nome não pode deixar de imitar Cristo que sofre. E repare-se em que como resignação não entendemos a vã ostentação de um ânimo endurecido à dor, como o tiveram alguns filósofos antigos; mas sim essa resignação que se funda no exemplo d&#8217;Aquele que &#8220;em lugar do gozo que tinha diante de si, suportou o suplício da Cruz, desprezando a ignomínia&#8221; (<em>Heb</em> 12, 2); essa resignação que, depois de pedir a Ele o necessário auxilio da graça, de modo algum recusa afrontar as adversidades; antes, alegra-se com elas, e considera um lucro qualquer sofrimento, por mais acerbo que seja.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">A Igreja Católica sempre teve, e tem ainda agora, insignes campeões de tal doutrina: homens e mulheres, em grande número, em todas as partes do mundo, de todas as condições. Estes, seguindo as pegadas de Cristo, em nome da fé e da virtude suportam contumélias e amarguras de todo gênero, e têm como seu programa, mais com os fatos do que com as palavras, a exortação de S. Tomé: &#8220;Vamos também nós, e morramos com Ele&#8221; (<em>Jo</em>. 11, 16).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">12. Oh! praza ao Céu que exemplos de tão admirável fortaleza se multipliquem sempre mais, a fim de que deles brote segurança para a sociedade, e virtude e glória para a Igreja.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>O descaso dos bens eternos </em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">13. O terceiro mal para o qual é preciso achar um remédio é particularmente próprio dos homens dos nossos dias Com efeito, os homens dos tempos passados, mesmo quando com excessiva paixão procuravam as coisas terrenas, contudo não desprezavam totalmente as celestes; antes, os mais sábios entre os próprios pagãos ensinaram que esta nossa vida é um lugar de hospedagem e uma estação de passagem, antes que uma morada fixa e definitiva.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Ao contrário, muitos dos modernos, embora educados na fé cristã, procuram de tal modo os bens transitórios desta terra, que não somente esquecem uma pátria melhor na eternidade bem-aventurada, mas, por excesso de vergonha, chegam a cancelá-la completamente de sua memória, contra a advertência de S. Paulo: &#8220;Não temos aqui uma cidade permanente, porém demandamos a futura&#8221; (<em>Heb</em>. 13, 14).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Quem quiser examinar as causas desta aberração logo notará que a primeira delas é a convicção de muitos de que o pensamento das coisas eternas extingue o amor da pátria terrena e impede a prosperidade do Estado. Calúnia odiosa e insensata.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E, de fato, os bens que esperamos não são de natureza tal que absorvam os pensamentos do homem até o ponto de o distrair inteiramente do cuidado dos interesses terrenos. O próprio Cristo embora recomendando-nos procurarmos antes de tudo o reino de Deus, com isto nos insinua que não devemos descurar tudo o mais.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E, de fato, se o uso dos bens terrenos e dos gozos honestos que deles derivam servem de estímulo à virtude; se o esplendor e o bem-estar da, cidade terrena &#8211; que depois redundam em glória da sociedade humana &#8211; são considerados como uma imagem do esplendor e da magnificência da cidade eterna, eles não são nem indignos de homens racionais, nem contrários aos desígnios de Deus.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Porque Deus é ao mesmo tempo autor da natureza e da graça; e por isto não pode ter disposto que uma obste à outra e estejam entre si em luta; mas, ao contrário, que, amigavelmente unidas, nos guiem, por uma trilha mais fácil, àquela eterna felicidade a que, embora mortais, somos destinados.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">14. Mas os homens dados ao prazer e egoístas, que de tal modo mergulham e aviltam os seus pensamentos nas coisas caducas a ponto de não saberem elevar-se a mais alto, estes, antes que procurarem os bens eternos através dos bens sensíveis de que gozam, perdem completamente de vista a eternidade, caindo assim numa condição verdadeiramente abjeta. Na verdade, Deus não poderia infligir ao homem punição mais terrível do que abandonando-o por toda a vida às seduções dos vícios, sem ter jamais um olhar para o Céu.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>As lições dos mistérios gloriosos</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">15. A este perigo não estará exposto aquele que, rezando o santo Rosário, meditar com atenção e com freqüência as verdades contidas nos mistérios gloriosos. Desses mistérios, com efeito, brilha na mente dos cristãos uma luz tão viva, que nos faz descobrir aqueles bens que o nosso olho humano nunca poderia perceber, mas que Deus &#8211; assim o cremos com fé inabalável &#8211; preparou &#8220;para aqueles que o amam&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Deles aprendemos, além disto, que a morte não é um esfacelamento que tudo perde e destrói, mas sim uma simples passagem e uma mudança de vida. Aprendemos que o caminho do céu está aberto a todos; e, quando observamos Cristo que volta ao Céu, recordamos a sua bela promessa: &#8220;Vou preparar-vos o lugar&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Aprendemos que haverá um tempo em que &#8220;Deus enxugará toda lágrima dos nossos olhos; em que não haverá mais nem lutos, nem pranto, nem dor, mas estaremos sempre com o Senhor, semelhantes a Deus, porque o veremos como Ele é, bebendo na torrente das suas delícias, concidadãos dos santos&#8221;, em feliz união com a grande Mãe e Rainha.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">16. Uma alma que se nutra destas verdades deverá necessariamente inflamar-se delas e repetir a frase de um grande. Santo: &#8220;Oh! como me parece sórdida a terra quando olho o Céu&#8221;; deverá necessariamente alegrar-se ao pensamento de que &#8220;um instante de um leve sofrimento nosso produz em nós uma medida eterna de glória&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E, verdadeiramente, só aqui está o segredo de harmonizar o tempo com a eternidade, a cidade terrena com a celeste, e de formar caracteres fortes e generosos. E se estes se tornarem muito numerosos, sem dúvida estará com isso consolidada a dignidade e a grandeza do Estado; e florescerá tudo o que é verdadeiro, tudo o que é bom, tudo o que é belo; florescerá em harmonia com aquela norma que é o sumo princípio e a fonte inexaurível de toda verdade, de toda bondade e de toda beleza.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">17. Ora, quem não vê a verdade disso que havemos observado desde o princípio, isto é, de que preciosos bens é fecundo o santo Rosário? O quanto ele é maravilhosamente eficaz em curar os males dos nossos tempos, e em opor um dique aos gravíssimos males da sociedade?</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>As confrarias do Rosário</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">18. Mas, como cada um facilmente compreende, de tal eficácia serão mais direta e mais largamente participantes os membros das sacras confrarias do Rosário, porque a ela adquirem um direito particular, quer pela sua união fraterna, quer pela sua devoção especial à Virgem Santíssima.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Tais sodalícios autorizadamente aprovados pelos Romanos Pontífices e por eles enriquecidos de privilégios e de tesouros de indulgências, têm uma forma própria de ordenação e de disciplina. Promovem reuniões em dias determinados, e neles são fornecidos meios mais adequados para florescer na piedade e para prestar úteis serviços à própria sociedade civil. Eles são como que falanges militantes que, guiadas e amparadas pela celeste Rainha, combaterão as batalhas de Cristo, em virtude dos seus santos mistérios.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E em todas as ocasiões, mas especialmente em Lepanto, pôde-se ver como a Virgem se compraz com as orações, as festas e as procissões desses seus devotos.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">19. Bem justo é, pois, que não somente os filhos do patriarca S. Domingos &#8211; certamente obrigados mais do que os outros, por motivo da sua vocação, &#8211; mas também todos aqueles que têm cura de almas -especialmente nas igrejas onde essas confrarias estão canonicamente eretas &#8211; se apliquem com todo o seu zelo a multiplicá-las, desenvolvê-las e assisti-las. Antes, ardentemente desejamos que também se dediquem a este trabalho aqueles que empreendem missões, seja para levar a doutrina de Cristo aos infiéis, seja para reforçá-la nos fiéis.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">20. Não duvidamos de que, pelas exortações de todos estes, muitos cristãos estarão prontos não só a inscrever-se nessas confrarias, mas também a esforçar-se, por todos os meios, para colher as já indicadas vantagens espirituais que formam como que a razão de ser e, por assim dizer, a substância do santo Rosário. Depois, o exemplo dos membros das confrarias arrastará também os outros fiéis a uma maior estima e devoção ao Rosário; os quais, assim estimulados, porão todo o seu empenho &#8211; como Nós vivamente desejamos &#8211; em tirar também, na mais larga medida, salutares vantagens desta prática.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">21. Eis aí a esperança que nos sorri. É ela que, no meio de tantas calamidades públicas, nos guia e profundamente nos consola. Digne-se Maria, Mãe de Deus e dos homens, inspiradora e mestra do santo Rosário, de realizar plenamente esta esperança, acolhendo as preces comuns.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Nós, ó Veneráveis Irmãos, temos confiança de que, pelo zelo de cada um de vós, os vossos ensinamentos e os Nossos votos produzirão toda espécie de bem, e contribuirão, em particular, para a prosperidade das famílias e para a paz dos povos.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Enquanto isso, em penhor dos favores celestes e em testemunho da Nossa benevolência, no Senhor concedemos a cada um de vós, ao vosso clero e ao vosso povo a Bênção Apostólica.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><em>Dado em Roma, junto a S. Pedro, a 8 de Setembro de 1893, décimo sexto ano do Nosso Pontificado. </em></p>
<p align="left">
<p align="center"><strong>LEÃO XIII PAPA </strong></p>
<p align="left">
<p align="center"><span style="color:#663300;font-family:Times New Roman;font-size:small;">Copyright © <a href="http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_08091893_laetitiae-sanctae_po.html">Libreria Editrice Vaticana</a></span></p>
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			<media:title type="html">Papa Leão XIII</media:title>
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	</item>
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		<title>Iucunda Semper Expectatione</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 03:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ecclésiam Cathólicam</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Documentos da Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Encíclica]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[Carta Encíclica "Iucunda Semper Expectatione" do Papa Leão XIII sobre o Rosário de Nossa Senhora, datada em 1894.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ecclesiam.wordpress.com&amp;blog=6043237&amp;post=488&amp;subd=ecclesiam&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://ecclesiam.files.wordpress.com/2012/01/leoxiiicrest.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-494" title="Papa Leão XIII" src="http://ecclesiam.files.wordpress.com/2012/01/leoxiiicrest.jpg?w=500&#038;h=894" alt="" width="500" height="894" /></a></p>
<p style="text-align:center;">CARTA ENCÍCLICA</p>
<p style="text-align:center;"><em><strong>IUCUNDA SEMPER</strong></em><strong><em> <em>EXPECTATIONE</em><em></em></em></strong><em><strong></strong></em></p>
<p style="text-align:center;"><em><strong></strong></em>DE SUA SANTIDADE<br />
PAPA LEÃO XIII</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>A todos os Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes,</em><em><br />
<em>Arcebispos, Bispos do Orbe Católico em graça</em><br />
<em>e comunhão com a Sé Apostólica,</em><br />
<em>sobre o Rosário de Nossa Senhora. </em><em></em></em></p>
<p><em>Veneráveis Irmãos, Saúde e Bênção Apostólica. </em><em></em></p>
<p><em><strong>Viva confiança no Rosário</strong></em><em></em></p>
<p style="text-align:justify;">1. Com alegre expectativa e com renovada confiança olhamos sempre a volta do mês de Outubro; porque, desde quando começamos a exortar os fiéis a consagrarem este mês à beatíssima Virgem, ele tem acarretado em toda parte uma poderosa floração do Rosário entre os católicos. Qual tenha sido o motivo elas Nossas exortações, já mais de uma vez o expusemos. Visto que os tempos, prenunciadores de desgraças para a Igreja e para a sociedade, exigiam o auxílio poderoso de Deus, Nós achamos dever implorá-lo justamente mediante a intercessão de sua Mãe, e sobretudo com essa fórmula de oração cuja salutar eficácia o povo cristão pôde sempre experimentar.</p>
<p style="text-align:justify;">Experimentou-a, com efeito, desde as origens do Rosário mariano, quer na defesa da santa fé contra os nefastos ataques dos hereges, quer no repor em honra aquelas virtudes que haviam sido sufocadas pela corrupção do mundo. Experimentou-a por uma série ininterrupta de benefícios, privados e públicos, cuja lembrança por toda parte foi imortalizada até mesmo com insignes instituições e monumentos. E também nos nossos tempos, trabalhados por múltiplas crises, folgamos de reconhecer que justamente do Rosário têm provindo frutos salutares. Todavia, olhando em volta, Veneráveis Irmãos, vós mesmos vedes que ainda permanecem, e em parte agravados, os motivos para convidarmos, ainda este ano, os vossos fiéis a reavivarem o fervor das suas súplicas para com a Rainha do Céu.</p>
<p style="text-align:justify;">2. Além disto, quanto mais fixamos o pensamento na íntima natureza do Rosário, tanto mais claramente se nos manifesta a sua excelência e utilidade. E por isto cresce em Nós o desejo e a esperança de que a Nossa recomendação seja tão eficaz que dê o mais amplo desenvolvimento a esta santíssima oração, difundindo-lhe sempre mais o conhecimento e a prática.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>Confiança em Maria como mediadora</strong></em><em></em></p>
<p style="text-align:justify;">3. Para tal fim não evocaremos aqui os argumentos que, sob vários aspectos, expusemos sobre este mesmo assunto nos anos precedentes; mas, antes, apraz-nos considerar e expor como, de acordo com os divinos desígnios da Providência, o Rosário desperta no ânimo de quem reza uma suave confiança de ser atendido, e move a maternal piedade da Virgem bendita a corresponder a tal confiança com a ternura dos seus socorros.</p>
<p style="text-align:justify;">4. O nosso suplicante recurso ao patrocínio de Maria funda-se no seu ofício de Mediadora da graça divina; ofício que ela &#8211; agradabilíssima a Deus pela sua dignidade e pelos seus méritos, e de longe superior em poder a todos os Santos &#8211; continuamente exerce por nós junto ao trono do Altíssimo. Ora, este seu ofício talvez por nenhum outro gênero de oração seja tão vivamente expresso como pelo Rosário, onde a parte tida pela Virgem na Redenção dos homens é posta tão em evidência que parece desenrolar-se agora ante o nosso olhar; e isto traz um singular proveito à piedade, seja na sucessiva contemplação dos sagrados mistérios, seja na recitação repetida das preces.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>Nos mistérios gozosos</strong></em><em></em></p>
<p style="text-align:justify;">5. Primeiramente se nos apresentam os mistérios gozosos. O Filho eterno de Deus abaixa-se até aos homens, feito Ele próprio homem mas com o assentimento de Maria, &#8220;que o concebe do Espírito Santo&#8221;. Daí ser João, por uma graça especial, &#8220;santificado&#8221; no seio materno e enriquecido de escolhidos dons &#8220;para preparar os caminhos do Senhor&#8221;. Mas isto sucede em seguida à saudação de Maria, que, por divina inspiração, vai visitar sua parenta. Finalmente vem à luz o Cristo, &#8220;o esperado das nações&#8221;, e vem à luz do seio da Virgem. Os pastores e os Magos, primícias da fé, dirigem-se com ânsia pressurosa ao seu berço, e &#8220;acham o Menino com Maria sua Mãe&#8221;. Depois Ele quer ser levado em pessoa ao templo para se oferecer publicamente em holocausto a Deus Pai. Mas é por obra da Mãe que ali &#8220;é apresentado ao Senhor&#8221;. É sempre ela que, na misteriosa perda do Filho, o procura com ansiosa solicitude e o reencontra com alegria imensa.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>Nos mistérios dolorosos </strong></em><em></em></p>
<p style="text-align:justify;">6. No mesmo sentido falam os mistérios dolorosos. É verdade que Maria não está presente no horto de Getsêmani, onde Jesus treme e está triste até à morte, e no pretório, onde é flagelado, coroado de espinhos, condenado à morte. Mas já desde tempo ela conhecera e vira claramente todas estas coisas. Com efeito, quando ela se ofereceu a Deus como escrava, para depois se tornar sua mãe, e quando no templo se consagrou inteiramente a Ele, juntamente com o Filho, já desde então, em virtude destes dois fatos, ela se tornou participante da dolorosa expiação de Cristo, para vantagem do gênero humano. Não há, pois, dúvida alguma de que, mesmo por tal razão, durante as cruéis angústias e torturas do Filho ela experimentou no seu coração as mais agudas dores.</p>
<p style="text-align:justify;">Aliás, na sua própria presença e sob seus olhos devia consumar-se aquele divino sacrifício para o qual, com o próprio leite, ela generosamente criara a vítima. Isto se contempla no último e mais comovente destes mistérios. &#8220;Estava junto à Cruz de Jesus Maria sua Mãe&#8221;, a qual, movida por um imenso amor a nós, para nos ter como seus filhos ofereceu, ela mesma, seu Filho à justiça divina, e com Ele morreu no seu coração, traspassada pela espada da dor.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>Nos mistérios gloriosos</strong></em><em></em></p>
<p style="text-align:justify;">7. Finalmente, nos mistérios gloriosos, que seguem os dolorosos, é mais copiosamente confirmado este mesmo misericordioso ofício da Virgem excelsa. Com tácita alegria ela saboreia a glória do Filho triunfante sobre a morte; segue-o depois com maternal afeto na sua volta à sede celeste. Mas, conquanto digna do Céu, ela é mantida na terra, como suprema consoladora e mestra da Igreja nascente; &#8220;ela penetrou, além de tudo o que se possa crer, nos profundos arcanos da sabedoria divina&#8221; (S. Bernardo, <em>De Praerogativis B. M. V</em>., n. 3).</p>
<p style="text-align:justify;">E, pois que a obra santa da redenção dos homens não podia dizer-se completa antes da descida do Espírito Santo, prometido por Cristo, eis que a vemos lá naquele Cenáculo cheio de recordações, a orar-lhe, juntamente com os Apóstolos e em vantagem dos Apóstolos, com gemidos inenarráveis; a apressar para a Igreja a sabedoria do Espírito consolador, supremo dom de Cristo, tesouro que nunca lhe faltará. Porém em medida ainda mais cheia e perene poderá ela advogar a nossa causa quando tiver passado à vida imortal.</p>
<p style="text-align:justify;">E, assim, deste vale de lágrimas vemo-la assunta à cidade santa de Jerusalém, por entre as festas dos coros angélicos; veneramo-la elevada acima da glória de todos os Santos, coroada de estrelas por seu divino Filho, sentada junto d&#8217;Ele, rainha e senhora do universo. Em todos estes mistérios, ó Veneráveis Irmãos, se tão bem se manifesta &#8220;o desígnio de Deus, desígnio de sabedoria e desígnio de misericórdia&#8221; (S. Bernardo, <em>Sermo in Nativitate B. M. V</em>., n. 6), não menos claramente brilhai ao mesmo tempo os grandíssimos benefícios da Virgem Mãe para conosco: benefícios que não podem deixar de nos encher de alegria, porque nos infundem a firme esperança de obtermos, pela mediação de Maria, a clemência e a misericórdia de Deus.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>Nas orações vocais</strong></em><em></em></p>
<p style="text-align:justify;">8. Para este mesmo fim, em perfeita harmonia com os mistérios, tende a oração vocal. Procede, como é justo, a oração dominical dirigida ao Pai celeste. Em seguida, após haver invocado o mesmo Pai com a mais Pobre das orações, do trono da sua majestade a nossa suplicante volve-se para Maria, em obséquio à lembrada lei da sua, mediação e da sua intercessão, expressa por S. Bernardino de Sena com as seguintes palavras: &#8220;Toda graça que é comunicada a esta terra passa por três ordens sucessivas. De Deus é comunicada a Cristo, de Cristo à Virgem, e da Virgem a nós&#8221; (S. Bernardino de Sena, <em>Sermo VI in Festis B. M. V.</em>, <em>De Annunciatione,</em> a. 1, c. 2).</p>
<p style="text-align:justify;">E nós, na recitação do Rosário, passamos por todos os três graus desta escala, em diversa relação entre eles; porém mais longamente, e de certo modo com mais gosto, detemo-nos no último, repetindo por dez vezes a saudação angélica, como que para nos elevarmos com maior confiança aos outros graus, isto é, por meio de Cristo a Deus Padre.</p>
<p style="text-align:justify;">Porquanto, se tornamos a repetir tantas vezes a mesma saudação a Maria, é para que a nossa oração, fraca e defeituosa, seja reforçada pela necessária confiança, confiança que surge em nós se pensarmos que Maria, mais do que rogar por nós, roga em nosso nome. De certo as nossas vozes serão mais agradáveis e eficazes na presença de Deus se forem apoiadas pelos rogos da Virgem; à qual Ele mesmo dirige o amoroso convite: &#8220;Ressoe a tua voz ao meu ouvido, porque suave é a tua voz&#8221; (<em>Cânt</em>. 2, 14).</p>
<p style="text-align:justify;">Por esta mesma razão, no Rosário nós tornamos tantas vezes a celebrar os seus gloriosos títulos de Mediadora. Em Maria saudamos aquela que &#8220;achou favor junto a Deus&#8221;; aquela que foi por Ele, de modo singularíssimo, &#8220;cumulada de graça&#8221;, para que tal superabundância se entornasse sobre todos os homens; aquela a quem o Senhor está unido pelo vínculo mais estreito que existir possa; aquela que, &#8220;bendita entre as mulheres&#8221;, &#8220;só ela dissolveu a maldição e trouxe a bênção&#8221; (S. Tom., <em>op. VIII</em>, <em>Sobre a Saudação Angélica</em>, n. 8), ou seja o fruto bendito do seu seio, no qual &#8220;todas as nações são benditas&#8221;; aquela, enfim, que invocamos como &#8220;Mãe de Deus&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Pois bem, em virtude de uma dignidade tão sublime, que coisa haverá que ela não possa pedir com segurança &#8220;para nós pecadores&#8221;, e, por outro lado, que coisa haverá que não possamos esperar nós, em toda a vida e nas nossas extremas agonias?</p>
<p style="text-align:justify;">9. Quem com toda diligência houver recitado estas orações e meditado com fé estes mistérios, não poderá deixar de admirar os desígnios divinos que uniram a Virgem Santíssima à salvação dos homens; e, com comovida confiança, desejará refugiar-se sob a sua proteção e no seu seio, repetindo a súplica de S. Bernardo: &#8220;Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que alguém que tenha recorrido à vossa proteção, implorado o vosso auxílio, invocado a vossa intercessão, tenha sido por vós desamparado&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>O Rosário comove Maria em nosso favor</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">10. Porém a virtude que o Rosário tem de inspirar a confiança em quem o reza, possui-a também em mover à piedade para conosco o coração da Virgem. Quanto deve ser suave para ela o ver-nos e o escutar-nos, enquanto entrelaçamos em coroa pedidos para nós justíssimos e louvores para ela belíssimo! Assim rezando, nós desejamos e tributamos a Deus a glória que lhe é devida; procuramos unicamente o cumprimento dos seus acenos e da sua vontade; exaltamos a sua bondade e a sua munificência, chamando-lhe Pai e pedindo-lhe, embora indignos deles, os dons mais preciosos.</p>
<p style="text-align:justify;">Com tudo isto Maria exulta imensamente, e, pela nossa piedade, de coração &#8220;magnifica o Senhor&#8221;. Porque, quando nos dirigimos a Deus pela oração dominical, nós o suplicamos mediante uma oração digna d&#8217;Ele.</p>
<p style="text-align:justify;">11. Mas às coisas que nela pedimos, já de per si tão retas e ordenadas e tão conformes à fé, à esperança, à caridade cristã, junta-se um valor que não pode deixar de ser sumamente apreciado pela Virgem Santíssima. Este: que à nossa voz se une a de seu Filho Jesus, o qual, depois de nos haver ensinado, palavra por palavra, essa fórmula de oração, autorizadamente no-la impõe, dizendo: &#8220;Vós, pois, rezareis assim&#8221; (<em>Mt</em>. 6, 9).</p>
<p style="text-align:justify;">Certos estejamos, pois, de que, se formos fiéis a este mandato com a recitação do Rosário, de sua parte Maria não deixará de exercer com maior benevolência o seu ofício de solícita caridade; e, acolhendo com semblante benigno estas místicas coroas de orações, recompensar-nos-á com abundância de graças.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>O Rosário ajuda-nos a bem orar </strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">12. Outra fortíssima razão para contarmos com maior segurança com a generosa bondade de Maria reside na própria natureza do Rosário, tão adequado para nos fazer rezar bem. Pela sua fragilidade, o homem, durante a oração, muitas vezes é levado a distrair-se do pensamento de Deus e a faltar ao seu louvável propósito.</p>
<p style="text-align:justify;">Ora, quem considera atentamente este fenômeno logo verá quão eficaz é o Rosário não só para fazer aplicar a mente e para sacudir a preguiça da alma, como também para excitar um salutar arrependimento das culpas, e, finalmente, para elevar o espírito às coisas celestes. E isto porque, como é bem sabido, o Rosário é composto de duas partes, distintas entre si, porém inseparáveis: a meditação dos mistérios e a oração vocal.</p>
<p style="text-align:justify;">Por conseqüência, este gênero de oração requer da parte do fiel uma atenção particular que não só o faz elevar, de algum modo, a mente a Deus, mas o leva também a refletir tão seriamente sobre as coisas propostas à sua consideração e contemplação, que ele é induzido também a tirar delas estímulo para uma vida melhor e alimento para toda forma de piedade. Realmente, não há nada maior ou mais maravilhoso do que estas coisas, que são como que o resumo da fé cristã, e que, com a sua luz e íntima força, têm sido fonte de verdade, de justiça e de paz, e que assinalaram para o mundo uma nova ordem de coisas, rica de frutos maravilhosos.</p>
<p style="text-align:justify;">13. Atente-se, além disto, no modo como estes profundíssimos mistérios são apresentados a quem reza o Rosário: isto é, um modo que bem se adapta às mentes mesmo dos simples e dos menos instruídos. O Rosário não tem em mira fazer-nos perscrutar os dogmas da fé e da doutrina cristã, mas principalmente pôr como que diante do nosso olhar e evocar à nossa memória fatos.</p>
<p style="text-align:justify;">Visto como os fatos que são apresentados quase nas mesmas circunstâncias de lugar, de tempo e de pessoa em que aconteceram, impressionam mais a alma e a comovem salutarmente. E, visto que estas coisas são geralmente inculcadas e gravadas nas almas desde a infância, daí se segue que, apenas enunciado um mistério, todo aquele que efetivamente tem amor à oração percorre-o sem nenhum esforço de imaginação, mas com movimento espontâneo da mente e do coração, e, pelo auxílio de Maria, tira dele em abundância um orvalho de graças celestes.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>O Rosário prova a Maria o nosso reconhecimento</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">14. Mas há outra razão que torna as nossas coroas mais agradáveis e mais meritórias em presença da Virgem. Quando, com devota recordação, repetimos a tríplice ordem dos mistérios, vimos a demonstrar-lhe mais claramente o nosso afetuoso reconhecimento; porque com isto nós professamos que nunca nos fartamos de recordar os benefícios dispensados pela sua inexaurível caridade, para a nossa salvação. Ora, nós podemos ter apenas uma vaga idéia da alegria, sempre nova, que a lembrança destes grandiosos fatos, repetidos com freqüência e com amor em sua presença, pode infundir no seu ânimo bendito, movendo-o a sentimentos de solicitude e de generosidade materna.</p>
<p style="text-align:justify;">Além disto, estas mesmas lembranças fazem com que as nossas orações se tornem mais ardentes e eficazes: porque cada mistério que passa diante do nosso pensamento fornece-nos um novo estímulo para orar, maximamente eficaz perante a Virgem. Sim, a ti recorremos, santa Mãe de Deus; e tu não desprezes estes míseros filhos de Eva!</p>
<p style="text-align:justify;">A ti suplicamos, ó poderosa e benigna Mediadora da nossa salvação, conjuramos-te com toda a alma; pelas suaves alegrias recebidas de teu Filho Jesus; pela participação nas suas indizíveis dores, pelo esplendor da sua glória que em ti se reflete. Eia, pois, escuta-nos, se bem que indignos, e atende-nos!</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>A moderna perseguição contra a Igreja</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">15. A excelência do Rosário mariano, focalizada também pelas duas considerações que acabamos de vos expor, dir-vos-á ainda mais claramente, Veneráveis Irmãos, por que razão Nós não nos cansamos de inculcá-lo e de promovê-lo com todo cuidado.</p>
<p style="text-align:justify;">Conforme desde o princípio observamos, a nossa época tem, cada vez mais, necessidade dos auxílios celestes; especialmente pelas muitas tribulações que a Igreja sofre, contrariada no seu direito e na sua liberdade, e, depois, pelos muitos perigos que ameaçam as próprias bases da prosperidade e da paz dos povos cristãos. Pois bem: mais uma vez declaramos solenemente que no Rosário depositamos as maiores esperanças de obter esses auxílios.</p>
<p style="text-align:justify;">Queira Deus &#8211; é este um ardente desejo Nosso &#8211; que esta prática de piedade retome em toda parte o seu antigo lugar de honra! Nas cidades e nas aldeias, nas famílias e nas oficinas, entre os nobres e os plebeus seja o Rosário amado e venerado como o mais nobre distintivo da profissão cristã, e como o auxílio mais eficaz para nos propiciar a divina clemência.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>Os últimos excessos da impiedade</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">16. E, pois que a insensata perversidade dos ímpios a tudo já agora recorre &#8211; com o dolo e com a audácia &#8211; para provocar a cólera divina e atrair sobre a pátria o peso de um justo castigo, necessário é que a piedosa prática do Rosário seja seguida com sempre maior empenho.</p>
<p style="text-align:justify;">Além disto, todos os bons sofrem conosco, porque no próprio seio dos povos católicos há muitos que, satisfeitos de se regozijar com as ofensas de qualquer modo feitas à religião, eles mesmos, fortes de uma incrível licença de propaganda, mostram não ter em mira outra coisa senão expor ao desprezo e ao escárnio do povo as coisas mais santas da religião e sua experimentada confiança na intercessão da Virgem.</p>
<p style="text-align:justify;">Nestes últimos meses, pois, não se tem poupado nem sequer a augustíssima pessoa de Jesus Cristo Salvador. Não se tem tido pejo de apoderar-se dela para os atrativos do palco, já agora sobejamente contaminado de infâmias, e de representarmo-la despojada da majestade da sua natureza divina; sem a qual necessariamente rui o próprio fundamento da redenção do gênero humano. E levou-se ao cúmulo a afronta quando se quis reabilitar da infâmia dos séculos o homem réu da criminosa perfídia que a história tem estigmatizado como a mais abominável e a mais monstruosa: o traidor de Cristo.</p>
<p style="text-align:justify;">17. Ante tais excessos, cometidos ou em via de sê-lo pelas cidades da Itália, tem-se levantado um brado geral de indignação e um enérgico protesto pela violação dos sacrossantos direitos da religião, naquela nação que justamente considera sua precípua ufania o ser católica.</p>
<p style="text-align:justify;">Ante tais excessos, como era natural, levantou-se a vigilante solicitude dos bispos, que apresentaram justíssimas recriminações àqueles que têm o inalienável dever de tutelar a honra da religião pátria; e não só têm avisado os seus rebanhos da gravidade do perigo, mas os têm exortado também a especiais atos de reparação da ímpia ofensa lançada contra o amorosíssimo Autor da nossa salvação.</p>
<p style="text-align:justify;">Nós temos apreciado imensamente as múltiplas e notáveis demonstrações de zelo dadas pelos bons nestas circunstâncias, e delas temos haurido um vivo conforto para a Nossa alma, profundamente ferida. Mas, dado que temos ocasião de falar, não podemos abafar a voz do Nosso altíssimo ministério. E por isto falamos, para ajuntar o Nosso mais enérgico protesto aos já levantados pelos bispos e pelos fiéis.</p>
<p style="text-align:justify;">18. Mas, enquanto lamentamos e detestamos esse sacrílego crime, com o mesmo ardor do Nosso ânimo apostólico dirigimos uma cálida exortação a todos os cristãos, mas particularmente aos Italianos, para que guardem intacta, defendem estrenuamente e continuem a alimentar com obras honestas e piedosas essa fé avoenga que constitui a sua herança mais preciosa.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>Recurso à poderosa Rainha do Céu</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">19. É esta mais uma razão pela qual Nós vivamente desejamos que durante o mês de Outubro os simples fiéis e as confrarias porfiem em honrar a grande Mãe de Deus, a poderosa Auxiliadora do povo cristão, a gloriosíssima Rainha do Céu. Por Nossa parte, de todo coração confirmamos os favores das santas Indulgências anteriormente concedidos a este propósito.</p>
<p style="text-align:justify;">20. E Deus, ó Veneráveis Irmãos, que &#8220;na sua misericordiosa bondade nos deu uma Mediadora tão poderosa&#8221; (S. Bernardo,<em> De C II Praerogativis B. M. V</em>., n. 2), &#8220;e quis que tudo nos viesse pelas mãos de Maria&#8221; (S. Bernardo,<em> Sermo in Nativitatem B. M. V</em>., n. 7), pela intercessão e pelo favor dela acolha propício os votos e satisfaça as esperanças de todos. Como auspício, pois, destes bens, juntamos de todo coração para vós, para o vosso clero e para o vosso povo a Bênção Apostólica.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Dado em Roma, junto a S. Pedro, a 8 de Setembro de 1894, décimo sétimo do Nosso Pontificado. </em></p>
<p align="center"><strong>LEÃO PP. XIII. </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center">Copyright © <a href="http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_08091894_iucunda-semper-expectatione_po.html">Libreria Editrice Vaticana</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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	</item>
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		<title>Fidentem Piumque Animum</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 03:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ecclésiam Cathólicam</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Documentos da Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Encíclica]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[CARTA ENCÍCLICA FIDENTEM PIUMQUE ANIMUM DE SUA SANTIDADE LEÃO XIII   A todos os Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos do Orbe Católico em graça e comunhão com a Sé Apostólica, sobre o Rosário de Nossa Senhora. Veneráveis Irmãos, Saúde e Bênção Apostólica. Devoção do Pontífice para com o Rosário 1. Durante o Nosso Sumo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ecclesiam.wordpress.com&amp;blog=6043237&amp;post=482&amp;subd=ecclesiam&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ecclesiam.files.wordpress.com/2012/01/f2395.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-483" title="Papa Leão XIII" src="http://ecclesiam.files.wordpress.com/2012/01/f2395.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<p align="center"><span style="color:#663300;font-family:Times New Roman;"> CARTA ENCÍCLICA<br />
<strong><em><span style="font-size:medium;">FIDENTEM PIUMQUE ANIMUM<br />
</span></em></strong>DE SUA SANTIDADE<br />
LEÃO XIII</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p align="left"><em>A todos os Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes,<br />
Arcebispos, Bispos do Orbe Católico<br />
em graça e comunhão com a Sé Apostólica,<br />
sobre o Rosário de Nossa Senhora. </em></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><em>Veneráveis Irmãos, Saúde e Bênção Apostólica</em>.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>Devoção do Pontífice para com o Rosário </em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">1. Durante o Nosso Sumo Pontificado freqüentemente temos tido ocasião de dar públicas provas da confiança e da piedade, para com a Santíssima Virgem, que sempre nutrimos desde os mais tenros anos, e que depois nos temos esforçado por alimentar e aumentar em toda a Nossa vida. Incidindo, com efeito, em tempos não menos infaustos para a Igreja do que cheios de perigos para a própria sociedade civil, facilmente havemos compreendido o quanto era útil recomendarmos com máximo calor esse baluarte de salvação e de paz que Deus, na sua grande misericórdia, quis dar à humanidade, na pessoa de sua augusta Mãe, e que depois ele tornou insigne nos fastos da Igreja por uma série ininterrupta de acontecimentos favoráveis.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E os povos católicos têm correspondido aos Nossos votos e às Nossas exortações com múltiplas e pressurosas iniciativas, mas especialmente reavivando a devoção para com o Rosário, com abundante messe de esplêndidos frutos. Mas Nós não nos podemos cansar de exaltar a Mãe de Deus, que é verdadeiramente &#8220;digníssima de todo louvor&#8221;, nem de inculcar um terno amor para com ela, que também é Mãe dos homens, e que é &#8220;cheia de misericórdia e cheia de graça&#8221;. Antes, quanto mais a Nossa alma, fatigada pelas solicitudes apostólicas, sente avizinhar-se a hora da sua partida, tanto mais ardente e confiantemente volve o olhar para aquela que é como a aurora bendita da qual surgiu o dia de uma felicidade e de uma alegria sem ocaso.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Oh! quanto nos consola, Veneráveis Irmãos, a lembrança das Cartas periodicamente escritas para recomendar o Rosário, tão grato àquela a quem se quer honrar, tão útil àqueles que o rezam bem! Mas não é menos caro ao Nosso coração o termos ainda a possibilidade de reafirmar insistentemente o Nosso propósito; mesmo porque, assim fazendo, temos ótima ocasião de exortar paternalmente as mentes e os corações a um sempre maior apego à religião, e de revigorar neles a esperança das imortais recompensas.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>As principais condições da oração</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">2. A forma de oração de que falamos foi chamada com o belo nome de <em>Rosário</em> como que para exprimir, a um tempo, o perfume das rosas e a graça das coroas. Nome que, enquanto é indicadíssimo para significar uma devoção destinada a honrar aquela que justamente é saudada como &#8220;Rosa Mística&#8221; do Paraíso, e que, cingida de uma coroa de estrelas, é venerada como Rainha do universo, parece também simbolizar o augúrio das alegrias e das grinaldas que Maria oferece aos seus fiéis.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">3. E esta asserção aparece ainda mais evidente se se considerar a natureza do Rosário mariano. De feito, nada nos é mais recomendado pelos preceitos e pelos exemplos de Cristo e dos Apóstolos do que a obrigação de invocarmos a Deus e de suplicarmos o seu auxilio. Depois, os Padres e os Doutores da Igreja, por sua parte, nos ensinam que este dever é de tal importância, que quem o descurasse debalde confiaria em alcançar a eterna salvação. Mas, embora quem reza tenha, pela própria virtude da oração e pela promessa de Cristo, a possibilidade ímpar das graças divinas, todavia, como todos sabem, a oração tira a sua maior eficácia principalmente destas duas condições, a saber: da assídua perseverança, e da união de muitos corações na mesma oração.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">A primeira condição é claramente posta em evidência pelas amorosas instâncias de Cristo: &#8220;Pedi, procurai, batei&#8221; (<em>Mt</em>. 7, 7); instâncias que pintam Deus como o mais terno dos pais, o qual quer, sim, acolher os desejos de seus filhos, mas também se alegra de sentir-se por eles longamente rogado, antes como que cansado pelas súplicas deles, para ligar sempre mais estreitamente a si os seus corações. Depois, sobre a outra condição, o próprio Senhor em várias circunstâncias proclamou: &#8220;<em>Se dois de vós se puserem juntos na terra para pedir qualquer coisa, eu estarei no meio deles</em>&#8221; (<em>Mt</em> 18, 19-20). Ensinamento do qual tirou inspiração aquela vigorosa sentença de Tertuliano: &#8220;Reunimo-nos juntos em assembléia e em sociedade como que para tomar de assalto a Deus com as nossas preces; é esta uma forma de violência, porém muito do agrado de Deus&#8221; (Tertuliano, <em>Apologet.</em>, c. 39). Além disto, é digno de menção, a este propósito, o que escreve o Aquinate: &#8220;É impossível que não sejam escutadas as orações de muitos juntos, quando não formam senão uma só oração&#8221;<em> </em>(S. Thomas de Aquino,<em> In Evangelium Matthaei,</em> c. 18).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>A união e a perseverança na recitação do Rosário</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">4. Ora, ambas estas condições se acham perfeitamente unidas no Rosário. Nele, com efeito, &#8211; para omitirmos outras reflexões &#8211; pela nossa repetição das mesmas orações nós demonstramos querer obter do Pai Celeste o seu reino de graça e de glória; e com as nossas reiteradas súplicas à Virgem Mãe imploramos para nós pecadores o seu auxílio e a sua intercessão durante toda a nossa vida e na nossa hora extrema, que é a porta da eternidade. Depois, a própria forma do Rosário presta-se otimamente para a oração em comum; tanto que, com razão, foi ele chamado &#8220;Saltério mariano&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Mantenha-se, portanto, com religiosa exatidão, ou se reponha em honra, o uso que tanto floresceu entre os nossos antepassados, quando as famílias cristãs, nas cidades e nos campos, consideravam como um sagrado dever o reunir-se, à noite, depois dos labores do dia, diante de uma imagem da Virgem, para recitar alternativamente o Rosário. E ela se comprazia tanto nesta fiel e concorde homenagem, que, como uma mãe entre a coroa de seus filhos, assistia propícia aqueles seus devotos, e concedia-lhes o dom da paz doméstica, penhor da paz do Céu.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">5. E foi justamente refletindo na eficácia desta oração em comum que, entre as Nossas muitas outras disposições sobre o Rosário, explicitamente declaramos &#8220;ser Nosso vivo desejo que ele fosse recitado todo os dias nas catedrais das simples Dioceses, e todos os dias de festa nas igrejas paroquiais&#8221; (Leão XIII, Carta Apostólica &#8220;<em>Salutaris Ille</em>&#8220;, 24 dez. 1883). Observe-se, pois, com solicitude e com constância essa nossa disposição. De resto, vemos com profunda satisfação que a santa prática se divulga e se conjuga com outras públicas manifestações de piedade, como, por exemplo, com as peregrinações aos santuários mais insignes: costume que se afirma sempre mais, com grande comprazimento Nosso.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">6. Mas esta união de preces e de louvores marianos apresenta também outros aspectos, que proporcionam muita alegria e muita utilidade às almas. E Nós mesmo &#8211; alegra-se-nos o coração ao reavivarmos aqui esta lembrança &#8211; tivemos meios de fazer a experiência disso em algumas circunstâncias particulares do Nosso Pontificado: quando, na Basílica Vaticana, estávamos cercados por uma multidão imensa de fiéis de todas as categorias, os quais, unidos a Nós nas intenções, na voz e na meditação dos mistérios do Rosário, suplicavam a poderosíssima Auxiliadora do povo cristão.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>O Rosário apresenta-nos Maria como mediadora</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">7. E quem quererá considerar excessiva e censurar a grande confiança depositada no auxilio e na proteção da Virgem? Todos estão de acordo em admitir que o nome e a função de perfeito Mediador não convém senão a Cristo: porque só Ele, conjuntamente, Deus e Homem, reconciliou o gênero humano com seu sumo Pai: &#8220;Um mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus Homem, aquele que a si mesmo se deu como preço de resgate por todos&#8221; (1 <em>Tim</em>. 2, 5-6). Mas se, como ensina o Angélico, &#8220;nada proíbe que algum outro se chame, sob certos aspectos, mediador entre Deus e os homens, quando dispositiva e ministerialmente coopera para a união do homem com Deus&#8221; (<em>S. Thomas de Aquino</em>, 3 q. 26 a. 1), como é o caso dos Anjos, dos Santos, dos profetas e dos sacerdotes do velho e do novo Testamento, sem dúvida alguma tal título de glória convém, em medida ainda maior, à Virgem excelsa.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Com efeito, é impossível imaginar outra criatura que tenha realizado ou esteja para realizar uma obra semelhante à dela, na reconciliação dos homens com Deus. Foi ela que, para os homens fadados à eterna ruína, gerou o Salvador; quando, ao anúncio do mistério de paz trazido à terra pelo Anjo, ela deu o seu admirável assentimento, &#8220;em nome de todo o gênero humano&#8221; (<em>S. Thomas de Aquino</em>, 3 q. 30 a. 1). Ela é aquela &#8220;da qual nasceu Jesus&#8221;, sua verdadeira Mãe, e por isto digna e agradabilíssima &#8220;Mediadora junto ao Mediador”.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">8. Como estes mistérios são sucessivamente propostos, no Rosário, à meditação dos fiéis, segue-se que esta oração põe em evidencia os méritos de Maria na obra da nossa reconciliação e da nossa salvação. Ninguém &#8211; assim pensamos pode subtrair-se a uma suave emoção ao contemplar a Virgem, ou quando visita a casa de Isabel para lhe dispensar os divinos carismas, ou quando apresenta seu filho pequenino aos pastores, aos reis, a Simeão. E que não sentirá a alma fiel quando refletir que o Sangue de Cristo, derramado por nós, e os membros nos quais ele mostra ao Pai as feridas recebidas &#8220;como penhor da nossa liberdade&#8221;, não são outra coisa senão carne e sangue da Virgem? E, na realidade: &#8220;A carne de Jesus é carne de Maria; e, embora sublimada pela glória de ressurreição, todavia a natureza dessa carne permaneceu e permanece a mesma que foi tomada de Maria&#8221; (<em>De Assumptione B. M. V</em>., c. V, inter operas <em>S. Augustini, PL, XL, Incerti Auctoris ac Pii</em>, col. 1141-1145).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>O Rosário fortifica a nossa fé </em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">9. Mas, como de outra vez lembramos, o Rosário produz outro fruto notável, adequado às necessidades dos nossos tempos. É este: que, numa época em que a virtude da fé em Deus está cada dia exposta a tão graves perigos e assaltos, o cristão acha no Rosário meios abundantes para alimentá-la e reforçá-la.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">10. As Sagradas Escrituras chamam a Cristo &#8220;condutor e aperfeiçoador da fé&#8221; (<em>Heb</em>. 12, 2). &#8220;Condutor&#8221;, porque ensinou aos homens grande número de verdades que eles devem crer, especialmente as que dizem respeito a &#8220;Aquele em quem &#8220;habita toda a plenitude da Divindade&#8221; (Col. 2, 9); e, ademais, porque, com a graça e como que com a unção do Espírito Santo, concede generosamente o dom da fé. &#8220;Aperfeiçoador&#8221;, porque no Céu, onde converterá o hábito da fé na clareza da glória, Ele tornará evidentes aquelas coisas que os homens, na vida mortal, perceberam como através de um véu. Ora, todos sabem que, na prática do Rosário, Cristo tem esse lugar de proeminência que lhe compete. De fato, é a sua vida que nós contemplamos na meditação: a privada, nos mistérios gozosos; a pública, em meio aos graves incômodos e a padecimentos mortais; a gloriosa, enfim, que da sua triunfal ressurreição chega até à eternidade d&#8217;Ele, sentado à destra do Pai.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">E, como é necessário que a fé, para ser digna e perfeita, se manifeste exteriormente, &#8220;pois que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz a profissão para a salvação&#8221; (<em>Rom</em>. 10, 10), no Rosário achamos também excelente meio para professarmos a nossa fé. E, realmente, com as orações vocais de que ele se tece, podemos exprimir a nossa fé em Deus, nosso Pai providentíssimo, na vida futura, na remissão dos pecados, nos mistérios da augusta Trindade, do Verbo encarnado, da maternidade divina, e em outras verdades ainda. Ora, ninguém ignora o quanto é grande o valor e o, mérito da fé: semente seletíssima que hoje faz desabrochar as flores de todas as virtudes que nos tornam agradáveis a Deus, e que um dia produzirá frutos que durarão eternamente: &#8220;O conhecer a ti é perfeita justiça, e o saber a tua justiça e poder é raiz de imortalidade&#8221; (<em>Sab</em>. 15, 3).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>O Rosário dá-nos lições de penitência  </em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">11. E aqui afigura-se oportuno um chamamento aos deveres das virtudes que a fé justamente impõe. Entre estas, por mais de um motivo é obrigatória e salutar a virtude da penitência, da qual é uma manifestação a &#8220;abstinência&#8221;. Se a Igreja mostra, sobre este ponto, sempre maior brandura para com seus filhos, é entretanto dever destes compensar com outras obras meritórias a sua maternal indulgência. Ora, também para tal fim apraz-nos, em primeiro lugar, inculcar a prática do Rosário, que pode produzir &#8220;bons frutos de penitência&#8221;, especialmente pela meditação dos sofrimentos de Jesus e de sua Mãe Santíssima.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>Facilidade e preciosidade do Rosário  </em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">12. Aqueles, pois, que se esforçam por atingir o seu bem supremo, um admirável desígnio da Providência ofereceu o auxílio do Rosário: auxilio mais fácil e mais prático do que qualquer outro. Porque basta um conhecimento, mesmo modesto, da religião, para se aprender a rezar com fruto o Rosário; e, por outro lado, isso requer tão pouco tempo, que na realidade não pode acarretar prejuízo a outros afazeres. Além de que isto é confirmado por oportunos e luminosos exemplos da história da Igreja; onde se lê que em todos os tempos houve pessoas que, conquanto desempenhassem ofícios muito pesados, ou fossem absorvidas por fatigantes ocupações, todavia nem sequer por um só dia relaxaram este piedoso costume.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">13. Isto se explica por esse íntimo sentimento de piedade que transporta as almas para esta sagrada coroa, até a amá-la ternamente e a considerá-la como a companheira inseparável e fiel amparo da sua vida. Apertando-a entre os dedos nas supremas agonias, eles estão mais seguros de ter em mão um penhor da &#8220;imarcescível coroa de glória&#8221;. Tal esperança é, depois, grandemente reforçada pelos tesouros &#8220;das indulgências&#8221; com que o Rosário foi enriquecido na mais larga medida pelos Nossos Predecessores e por Nós mesmo; contanto que, entende-se, delas se tenha devida estima. Não há dúvida que essas indulgências, como que dispensadas pelas mãos da Virgem misericordiosa, ajudam muito os moribundos e os defuntos, apressando para eles as alegrias da suspirada paz e da luz eterna.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em>Para o retorno dos dissidentes</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">14. Eis aí, ó Veneráveis Irmãos, os motivos que nos impelem a não desistir de louvar e de recomendar aos católicos uma forma tão excelente de piedade, uma devoção tão útil para chegar ao porto da salvação. Mas a isto somos movido também por outra razão de extraordinária importância sobre a qual já muitas vezes temos manifestado o nosso pensamento em Cartas e Alocuções, como seja:</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">15. Sentindo-nos cada dia mais fortemente estimulado e impelido á obra pelo ardente desejo &#8211; em nós ateado pelo sacratíssimo Coração de Jesus &#8211; de favorecei a reconciliação dos dissidentes, compreende que esta admirável unidade não pode ser mais bem preparada e realizada do que em virtude da oração. Temos presente ao Nosso espírito o exemplo de Cristo, que suplicou longamente seu Pai para que os seguidores da sua doutrina fossem &#8220;uma coisa só&#8221; na fé e na caridade. Depois disso, que a prece da Virgem também seja eficacíssima para este fim, disto temos uma prova eloqüente na história apostólica. Aquela página que, enquanto nos apresenta a primeira reunião dos Discípulos, em suplicante espera da prometida efusão do Espírito Santo, faz especial menção de Maria, em oração com eles: &#8220;Todos eles perseveravam unânimes na oração com Maria, Mãe de Jesus&#8221; (<em>At</em> 1, 14).</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">Portanto, assim como a Igreja nascente justamente se uniu na oração a ela &#8211; a mais nobre fautora e guardiã da unidade, &#8211; o mais possível oportuno é que outro tanto façam, nos nossos dias, os católicos; especialmente durante o mês de Outubro, que Nós, já de longa data, temos querido dedicado e consagrado à divina Mãe, com a recitação solene do Rosário, para implorar o auxílio dela nas presentes angústias da Igreja. Acenda-se, pois, por toda parte o ardor por esta oração, com a finalidade precípua de alcançar a santa unidade. Nada poderá ser mais suave e mais grato a Maria. Unida intimamente a Cristo, ela deseja sobretudo e quer que aqueles que receberam o dom do mesmo batismo, por Ele instituído, estejam também unidos, por uma mesma fé e por uma perfeita caridade, com Cristo e entre si mesmos.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left">16. Que, mediante o Rosário, os mistérios augustos desta fé penetrem tão profundamente nas almas, que nós possamos &#8211; queira-o Deus! -&#8221;imitar aquilo que eles contêm, e alcançar o que prometem !&#8221; Entrementes, em auspício dos divinos favores, e em atestado do Nosso afeto, concedemos de grande coração a cada um de vós, ao vosso clero e ao vosso povo a Bênção Apostólica.</p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><em>Dado em Roma, junto a S. Pedro, a 20 de Setembro de 1896, décimo nono ano do Nosso Pontificado.</em></p>
<p align="center"> <strong>LEÃO PP. XIII. </strong></p>
<p align="center">
<p align="center"><span style="color:#663300;font-family:Times New Roman;font-size:small;">Copyright © <a href="http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_20091896_fidentem-piumque-animum_po.html">Libreria Editrice Vaticana</a></span></p>
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			<media:title type="html">Papa Leão XIII</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Divinum Illud Munus</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 03:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ecclésiam Cathólicam</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Documento da Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Encíclica]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIII]]></category>

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		<description><![CDATA[CARTA ENCÍCLICA DIVINUM ILLUD MUNUS DEL SUMO PONTÍFICE LEÓN XIII SOBRE LA PRESENCIA Y VIRTUD ADMIRABLE DEL ESPÍRITU SANTO INTRODUCCIÓN 1. Aquella divina misión que, recibida del Padre en beneficio del género humano, tan santísimamente desempeñó Jesucristo, tiene como último fin hacer que los hombres lleguen a participar de una vida bienaventurada en la gloria [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ecclesiam.wordpress.com&amp;blog=6043237&amp;post=477&amp;subd=ecclesiam&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ecclesiam.files.wordpress.com/2012/01/leo13th.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-478" title="Papa Leão XIII" src="http://ecclesiam.files.wordpress.com/2012/01/leo13th.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<p align="center"><span style="font-family:Times;font-size:small;">CARTA ENCÍCLICA<br />
</span> <strong><em><span style="font-family:Times;font-size:medium;">DIVINUM ILLUD MUNUS</span></em></strong><span style="font-family:Times;font-size:small;"><br />
DEL SUMO PONTÍFICE<br />
LEÓN XIII<br />
SOBRE LA PRESENCIA<br />
Y VIRTUD ADMIRABLE DEL ESPÍRITU SANTO </span></p>
<p align="center">
<p align="center">
<p align="center"><span style="font-size:small;"><strong>INTRODUCCIÓN</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">1. Aquella divina misión que, recibida del Padre en beneficio del género humano, tan santísimamente desempeñó Jesucristo, tiene como último fin hacer que los hombres lleguen a participar de una vida bienaventurada en la gloria eterna; y, como fin inmediato, que durante la vida mortal vivan la vida de la gracia divina, que al final se abre florida en la vida celestial.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Por ello, el Redentor mismo no cesa de invitar con suma dulzura a todos los hombres de toda nación y lengua para que vengan al seno de su Iglesia: <em>Venid a mí todos</em>; <em>Yo soy la vida</em>; <em>Yo soy el buen pastor</em>. Mas, según sus altísimos decretos, no quiso El completar por sí sólo incesantemente en la tierra dicha misión, sino que, como El mismo la había recibido del Padre, así la entregó al Espírítu Santo para que la llevara a perfecto término. Place, en efecto, recordar las consoladoras frases que Cristo, poco antes de abandonar el mundo, pronunció ante los apóstoles: «Os conviene que yo me vaya, porque si no me voy, no vendrá vuestro abogado; en cambio, si me voy, os lo enviaré».</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Y al decir así, dio como razón principal de su separación y de su vuelta al Padre el provecho que sus discipulos</span> <span style="font-size:small;">habían de recibir de la venida del Espíritu Santo; al mismo tiempo que mostraba cómo éste era igualmente enviado por El y, por lo tanto, que de El procedía como del Padre; y que como abogado, como consolador y como maestro concluiría la obra por El comenzada durante su vida mortal. La perfección de su obra redentora estaba providentísimamente reservada a la múltiple virtud de este Espíritu, que en la creación adornó los cielos(2) y llenó la tierra(3).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">2. Y Nos, que constantemente hemos procurado, con auxilio de Cristo Salvador, príncipe de los pastores y obispo de nuestras almas, imitar sus ejemplos, hemos continuado religiosamente su misma misión, encomendada a los apóstoles, principalmente a Pedro, cuya dignidad también se transmite a un heredero menos digno(4). Guiados por esa intención, en todos los actos de nuestro pontificado a dos cosas principalmente hemos atendido y sin cesar atendemos. Primero, a restaurar la vida cristiana así en la sociedad pública como en la familiar, tanto en los gobernantes como en los pueblos; porque sólo de Cristo puede derivarse la vida para todos. Segundo, a fomentar la reconcilia</span><span style="font-size:small;">ción con la Iglesia de los que, o en la fe o por la obediencia, están separados de ella; pues la verdadera voluntad del mismo Cristo es que haya sólo un rebaño bajo un solo Pastor. Y ahora, cuando nos sentimos cerca ya del fin de nuestra mortal carrera, place consagrar toda nuestra obra, cualquiera que ella haya sido, al Espíritu Santo, que es vida y amor, para que la fecunde y la madure. Para cumplir mejor y más eficazmente nuestro deseo, en vísperas de la solemnidad de Pentecostés, queremos hablaros de la admirable presencia y poder del mismo Espíritu; es</span> <span style="font-size:small;">decir, sobre la acción que El ejerce en la Iglesia y en las almas merced al don</span> <span style="font-size:small;">de sus gracias y celestiales carismas. Resulte de ello, como es nuestro deseo ardiente, que en las almas se reavive y se vigorice la fe en el augusto misterio de la Trinidad, y especialmente crezca la devoción al divino Espíritu, a quien</span> <span style="font-size:small;">de mucho son deudores todos cuantos siguen el camino de la verdad y de la</span> <span style="font-size:small;">justicia; pues, como señaló San Basilio,</span> <span style="font-size:small;">toda la economía divina en torno al hombre, si fue realizada por nuestro Salvador y Dios, Jesucristo, ha sido llevada a cumplimiento</span> <span style="font-size:small;">por la gracia del Espíritu Santo(5).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="center"><span style="font-size:small;"><strong>EL MISTERIO DE LA TRINIDAD</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">3. Antes de entrar en materia será conveniente y útil tratar algo sobre el misterio de la sacrosanta Trinidad.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Este misterio, el más grande de todos los misterios, pues de todos es principio y fin, se llama por los doctores</span> <span style="font-size:small;">sagrados <em>sustancia del Nuevo Testamento</em>; para conocerlo y contemplarlo han sido , creados en el cielo los ángeles y en la tierra los hombres; para enseñar con más claridad lo prefigurado en el Antiguo Testamento, Dios mismo descendió de los ángeles a los hombres: «Nadie vio jamás a Dios; el Hijo unigénito que está en el seno del Padre, El nos lo ha revelado»(6).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Así pues, quien escriba o hable sobre la Trinidad siempre deberá tener ante la vista lo que prudentemente amonesta el Angélico: «Cuando se habla de la Trinidad, conviene hacerlo con prudencia y humildad, pues </span><span style="font-size:small;">—</span><span style="font-size:small;">como dice Agustín</span><span style="font-size:small;">—</span><span style="font-size:small;"> en ninguna otra materia intelectual es mayor o el trabajo o el peligro de equivocarse o el fruto una vez logrado»(7). Peligro que procede de confundir entre sí, en la fe o en la piedad, a las divinas personas o de multiplicar su única naturaleza; pues la fe católica nos enseña a venerar un solo Dios en la Trinidad y la Trinidad en un solo Dios.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">4. Por ello, nuestro predecesor Inocencio XII no accedió a la petición de quienes solicitaban una fiesta especial en honor del Padre. Si hay ciertos días festivos para celebrar cada uno de los misterios del Verbo Encarnado, no hay</span> <span style="font-size:small;">una fiesta propia para celebrar al Verbo tan sólo según su divina naturaleza; y aun la misma solemnidad de Pentecostés, ya tan antigua, no se refiere simplemente al Espíritu Santo por sí, sino que recuerda su venida o externa misión. Todo ello fue prudentemente establecido para evitar que nadie multiplicara la divina esencia, al distinguir las Personas. Más aún: la Iglesia, a fin de mantener en sus hijos la pureza de la fe, quiso instituir la fiesta de la Santísima Trinidad, que luego Juan XXII mandó celebrar en todas partes; permitió que se dedicasen a este misterio templos y altares y, después de celestial visión, aprobó una Orden religiosa para la redención de cautivos, en honor de la Santísima Trinidad, cuyo nombre la distinguía.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Conviene añadir que el culto tributado a los Santos y Angeles, a la Virgen Madre de Dios y a Cristo, redunda todo y se termina en la Trinidad. En las preces consagradas a una de las tres divinas personas, también se hace mención de las otras; en las letanías, luego de invocar a cada una de las Personas separadamente, se termina por su invocación común; todos los salmos e himnos tienen la misma doxología al Padre, al Hijo y al Espíritu Santo; las bendiciones, los ritos, los sacramentos, o se hacen en nombre de la santa Trinidad, o les acompaña su intercesión. Todo lo cual ya lo había anunciado el Apóstol</span> <span style="font-size:small;">con aquella frase: «Porque de Dios, por Dios y en Dios son todas las cosas, a Dios sea la gloria eternamente»(8); significando así la trinidad de las Personas y la unidad de naturaleza, pues por ser ésta una e idéntica en cada una de las Personas, procede que a cada una se tribute, como a uno y mismo Dios, igual gloria y coeterna majestad. Comentando aquellas palabras, dice San Agustín: «No se interprete confusamente lo que el Apóstol distingue, cuando dice &#8220;de Dios, por Dios, en Dios&#8221;; pues dice &#8220;de Dios&#8221;, por el Padre; &#8220;por Dios&#8221;, a causa del Hijo; &#8220;en Dios&#8221;, por relación al Espíritu Santo(9).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"><strong><em>Apropiaciones</em></strong></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">5. Con gran propiedad, la Iglesia acostumbra atribuir al Padre las obras del poder; al Hijo, las de la sabiduría; al Espíritu Santo, las del amor. No porque todas las perfecciones y todas las obras <em>ad extra</em> no sean comunes a las tres divinas Personas, pues indivisibles son las obras de la Trinidad, como indivisa es su esencia(10), porque así como las tres Personas divinas son inseparables, así obran inseparablemente(11); sino que por una cierta relación y como afinidad que</span> <span style="font-size:small;">existe entre las obras externas y el carácter «propio» de cada Persona, se atribuyen a una más bien que a las otras, o —</span><span style="font-size:small;">como dicen—</span><span style="font-size:small;"> «se apropian». Así como de la semejanza del vestigio o imagen hallada en las criaturas nos servimos para manifestar las divinas Personas, así hacemos también con los atributos divinos; y la manifestación deducida de los atributos divinos se dice «apropiación»(12).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">De esta manera, el Padre, que es principio de toda la Trinidad(13), es la causa eficiente de todas las cosas, de la Encarnación del Verbo y de la santificación de las almas: «de Dios son todas las cosas»; «de Dios», por relación al Padre; el Hijo, Verbo e Imagen de Dios, es la causa ejemplar por la que todas las cosas tienen forma y belleza, orden y armonía, él, que es camino, verdad, vida, ha reconciliado al hombre con Dios; «por Dios», por relación al Hijo; finalmente, el Espíritu Santo es la causa última de todas las cosas, puesto que, así como la voluntad y aun toda cosa descansa en su fin, así El, que es la bondad y el amor del Padre y del Hijo, da impulso fuerte y suave y como la última mano al misterioso trabajo de nuestra eterna salvación: «en Dios», por relación al Espíritu Santo.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"><em><strong>El Espíritu Santo y Jesucristo</strong></em></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">6. Precisados ya los actos de fe y de culto debidos a la augustísima Trinidad, todo lo cual nunca se inculcará bastante al pueblo cristiano, nuestro discurso se dirige ya a tratar del eficaz poder del Espíritu Santo. Ante todo, dirijamos una mirada a Cristo, fundador de la Iglesia y Redentor del género humano. Entre todas las obras de Dios <em>ad extra</em>, la más grande es, sin duda, el misterio de la Encarnación del Verbo; en él brilla de tal modo la luz de los divinos atributos, que ni es posible pensar nada superior ni puede haber nada más saludable para nosotros. Este gran prodigio, aun cuando se ha realizado por toda la Trinidad, sin embargo se atribuye como «propio» al Espíritu Santo, y así dice el Evangelio que la concepción de Jesús en el seno de la Virgen fue obra del Espíritu Santo(14), y con razón, porque el Espíritu Santo es la caridad del Padre y del Hijo, y este gran misterio de la bondad divina(15), que es la Encarnación, fue debido al inmenso amor de Dios al hombre, como advierte San Juan: «Tanto amó Dios al mundo, que le dio su Hijo Unigénito»(16). Añádase que por dicho acto la humana naturaleza fue levantada a la unión personal con el Verbo, no por mérito alguno, sino sólo por pura gracia, que es don propio del Espíritu Santo: El admirable modo, dice San Agustín, con que Cristo fue concebido por obra del Espíritu Santo, nos da a entender la bondad de Dios, puesto que la naturaleza humana, sin mérito alguno precedente, ya en el primer instante fue unida al Verbo de Dios en unidad tan perfecta de persona que</span> <span style="font-size:small;">uno mismo fuese a la vez Hijo de Dios e Hijo del hombre(17).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Por obra del Espíritu Divino tuvo lugar no solamente la concepción de Cristo, sino también la santificación de su alma, llamada unción en los Sagrados Libros(18), y así es como toda acción suya se realizaba bajo el influjo del mismo Espíritu(19), que también cooperó de modo especial a su sacrificio, según la frase de San Pablo: «Cristo, por medio del Espíritu Santo, se ofreció como hostia inocente a Dios»(20). Después de todo esto, ya no extrañará que todos los carismas del Espíritu Santo inundasen el alma de Cristo. Puesto que en El hubo una abundancia de gracia singularmente plena, en el modo más grande y con la mayor eficacia que tenerse puede; en él, todos los tesoros de la sabiduría y de la ciencia, las gracias <em>gratis datas</em>, las virtudes, y plenamente todos los dones, ya anunciados en las profecías de Isaías(21), ya simbolizados en aquella misteriosa paloma aparecida en el Jordán, cuando Cristo con su bautismo consagraba sus aguas para el nuevo Testamento.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Con razón nota San Agustín que Cristo no recibió el Espíritu Santo siendo ya de treinta años, sino que cuando fue bautizado estaba sin pecado y ya tenía el Espíritu Santo; entonces, es decir, en el bautismo, no hiza sino prefigurar a su cuerpo místico, es decir, a la Iglesia en la cual los bautizados reciben de modo peculiar el Espíritu Santo(22). Y así la aparición sensible del Espíritu sobre Cristo y su acción invisible en su alma representaban la doble misión del Espíritu Santo, visible en la Iglesia, e invisible en el alma de los justos.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="center"><span style="font-size:small;"><strong><br />
EL ESPÍRITU SANTO Y LA IGLESIA</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"><strong><em>En los apóstoles, obispos y sacerdotes</em></strong></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">7. La Iglesia, ya concebida y nacida del corazón mismo del segundo Adán en la Cruz, se manifestó a los hombres por vez primera de modo solemne en el celebérrimo día de Pentecostés con aquella admirable efusión, que había sido vaticinada por el profeta Joel(23); y en aquel mismo día se iniciaba la acción del divino Paráclito en el místico cuerpo de Cristo, posándose sobre los apóstoles, como nuevas coronas espirituales, formadas con lenguas de fuego, sobre sus cabezas(24).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Y entonces los apóstoles descendieron del monte, como escribe el Crisóstomo, no ya llevando en sus manos como Moisés tablas de piedra, sino al Espíritu Santo en su alma, derramando el tesoro y fuente de verdades y de carismas(25). Así, ciertamente se cumplía la última promesa de Cristo a sus apóstoles, la de enviarles el Espíritu Santo, para que con su inspiración completara y en cierto modo sellase el depósito de la revelación: «Aún tengo que deciros muchas cosas, mas no las entenderíais ahora; cuando viniere el Espíritu de verdad, os enseñará toda verdad»(26). El Espíritu Santo, que es espíritu de verdad, pues procede del Padre, Verdad eterna, y del Hijo, Verdad sustancial, recibe de uno y otro, juntamente con la esencia, toda la verdad que luego comunica a la Iglesia, asistiéndola para que no yerre jamás, y fecundando los gérmenes de la revelación hasta que, en el momento oportuno, lleguen a madurez para la salud de los pueblos. Y como la Iglesia, que es medio de salvación, ha de durar hasta la consumación de los siglos, precisamente el Espíritu Santo la alimenta y acrecienta en su vida y en su virtud: «Yo rogaré al Padre y El os mandará el Espíritu de verdad, que se quedará siempre con vosotros»(27). Pues por El son constituidos los obispos, que engendran no sólo hijos, sino también padres, esto es, sacerdotes, para guiarla y alimentarla con aquella misma sangre con que fue redimida por Cristo: «El Espíritu Santo ha puesto a los obispos para regir la Iglesia de Dios, que Cristo adquirió con su sangre»(28); unos y otros, obispos y sacerdotes, por singular don del Espíritu tienen poder de perdonar los pecados, según Cristo dijo a sus apóstoles: «Recibid el Espíritu Santo: a los que perdonareis los pecados, les serán perdonados, y a los que se los retuviereis, les serán retenidos»(29).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"><em><strong>En las almas</strong></em></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> 8. Nada confirma tan claramente la divinidad de la Iglesia como el glorioso esplendor de carismas que por todas partes la circundan, corona magnífica que ella recibe del Espíritu Santo. Baste, por último, saber que si Cristo es la cabeza de la Iglesia, el Espíritu Santo es su alma: «Lo que el alma es en nuestro cuerpo, es el Espíritu Santo en el cuerpo de Cristo, que es la Iglesia»(30). Si esto es así, no cabe imaginar ni esperar ya otra mayor y más abundante manifestación y aparición del Divino Espíritu, pues la Iglesia tiene ya la máxma, que ha de durarle hasta que, desde el estadio de la milicia terrenal, sea elevada triunfante al coro alegre de la sociedad celestial. </span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">No menos admirable, aunque en verdad sea más dificil de entender, es la acción del Espíritu Santo en las almas, que se-esconde a toda mirada sensible.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> Y esta efusión del Espíritu es de abundancia tanta que el mismo Cristo, su donante, la asemejó a un río abundantísimo, como lo afirma San Juan: «Del seno de quien creyere en Mí, como dice la Escritura, brotarán fuentes de agua viva»; testimonio que glosó el mismo evangelista, diciendo: «Dijo esto del Espíritu Santo, que los que en El creyesen habían de recibir»(31) . </span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"><em><strong>En el Antiguo Testamento y en el Nuevo Testamento</strong></em></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> 9. Cierto es que aun en los mismos justos del Antiguo Testamento ya inhabitó el Espíritu Santo, según lo sabemos</span> <span style="font-size:small;">de los profetas, de Zacarías, del Bautista, de Simeón y de Ana; pues no fue en Pentecostés cuando el Espíritu Santo comenzó a inhabitar en los Santos por vez primera: en aquel día aumentó sus dones, mostrándose más rico y más abundante en su largueza(32). También aquéllos eran hijos de Dios, mas aún permanecían en la condición de siervos, porque tampoco el hijo se diferencia del siervo, mientras está bajo tutela(33); a más de que la justicia en ellos no era sino por los previstos méritos de Cristo, y la comunicación del Espíritu Santo hecha después de Cristo es mucho más copiosa, como la cosa pactada vence en valor a la prenda, y como la realidad excede en mucho a su figura. Y por ello así lo afirmó Juan: «Aún no había sido dado el Espíritu Santo, porque Jesús no había sido glorificado»(34). Inmediatamente que Cristo, ascendiendo a lo alto, hubo tomado posesión de su reino, conquistado con tanto trabajo, con divina munificencia abrió sus tesoros, repartiendo a los hombres los dones del Espíritu Santo(35): «Y no es que antes no hubiese sido mandado el Espíritu Santo, sino que no había sido dado como lo fue después de la glorificación de Cristo»(36). Y ello porque la naturaleza humana es esencialmente sierva de Dios: «La criatura es sierva, nosotros somos siervos de Dios según la naturaleza»(37); más aún: por el primer pecado toda nuestra naturaleza cayó tan baja que se tornó enemiga de Dios: «Eramos por la naturaleza hijos de la ira»(38). No había fuerza capaz de levantarnos de caída tan grande y rescatarnos de la eterna ruina. Pero Dios, que nos había creado, se movió a piedad; y por medio de su Unigénito restituyó al hombre a la noble altura de donde había caído, y aun le realzó con más abundante riqueza de dones. Ninguna lengua puede expresar esta labor de la divina gracia en las almas de los hombres, por la que son llamados, ya en las Sagradas Escrituras, ya en los escritos de los Padres de la Iglesia, regenerados, criaturas nuevas, participantes de la divina naturaleza, hijos de Dios, deificados, y así más aún. Ahora bien: beneficios tan grandes propiamente los debemos al Espíritu Santo.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> El es el Espíritu de adopción de los hijos, en el cual clamamos: «Abba», «Padre»; inunda los corazones con la dulzura de su paternal amor: da testimonio a nuestro espíritu de que somos hjos de Dios(39). Para declarar lo cual es muy oportuna aquella observación del Angélico, de que hay cierta semejanza entre las dos obras del Espíritu Santo; puesto que por la virtud del Espíritu Santo Cristo fue concebido en santidad para ser hijo natural de Dios, y los hombres son santificados para ser hijos adoptivos de Dios(40). Y así, con mucha mayor nobleza aún que en el orden natural, la espiritual generación es fruto del Amor increado.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"><em><strong>En los sacramentos</strong></em></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">10. Esta regeneración y renovación comienza para cada uno en el bautismo, sacramento en el que, arrojado del alma el espíritu inmundo, desciende a ella por primera vez el Espíritu Santo, haciéndola semejante a sí: «Lo que nace del Espíritu es espíritu»(41). Con más abundancia se nos da el mismo Espíritu en la confirmación, por la que se nos infunde fortaleza y constancia para vivir como cristianos: es el mismo Espíritu el que venció en los mártires y triunfó en las vírgenes sobre los halagos y peligros. Hemos dicho que «se nos da el mismo Espíritu»: «La caridad de Dios se difunde en nuestros corazones por el Espíritu Santo que nos ha sido dado»(42). Y en verdad, no sólo nos llena con divinos dones, sino que es autor de los mismos, y aun El mismo es el don supremo porque, al proceder del mutuo amor del Padre y del Hijo, con razón es don del Dios altísimo. Para mejor entender la naturaleza y efectos de este don, conviene recordar cuanto, después de las Sagradas Escrituras, enseñaron los sagrados doctores, esto es, que Dios se halla presente a todas las cosas y que está en ellas: por potencia, en cuanto se hallan sujetas a su potestad; por presencia, en cuanto todas están abiertas y patentes a sus ojos; por esencia, porque en todas se halla como causa de su ser(43). Mas en la criatura racional se encuentra Dios ya de</span> <span style="font-size:small;">otra manera; esto es, en cuanto es conocido y .amado, ya que según naturaleza es amar el bien, desearlo y buscarlo. Finalmente, Dios, por medio de su gracia, está en el alma del justo en forma más íntima e inefable, como en su templo; y de ello se sigue aquel mutuo amor por el que el alma está íntimamente presente a Dios, y está en él más de lo que pueda suceder entre los amigos más queridos, y goza de él con la más regalada dulzura.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> <strong><em>En la inhabitación</em></strong> </span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">11. Y esta admirable unión, que propiamente se llama inhabitación, y que sólo en la condición o estado, mas no en la esencia, se diferencia de la que constituye la felicidad en el cielo, aunque realmente se cumple por obra de toda la Trinidad, por la venida y morada de las tres divinas Personas en el alma amante de Dios, vendremos a él y haremos mansión junto a él(44), se atribuye, sin embargo, como peculiar al Espíritu Santo. Y es cierto que hasta entre los impíos aparecen vestigios del poder y sabiduría divinos; mas de la caridad, que es como «nota» propia del Espíritu Santo, tan sólo el justo participa.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Añádase que a este Espíritu se le da el apelativo de Santo, también porque, siendo el primero y eterno Amor, nos mueve y excita a la santidad, que en resumen no es sino el amor a Dios. Y así, el Apóstol, cuando llama a los justos templos de Dios, nunca les llama expresamente templos «del Padre» o «del Hijo», sino «del Espíritu Santo»: «¿Ignoráis que vuestros miembros son templo del Espíritu Santo, que está en vosotros, pues le habéis recibido de Dios?»(45). A la inhabitación del Espíritu Santo en las almas justas sigue la abundancia de los dones celestiales. Así enseña Santo Tomás: «El Espíritu Santo, al proceder como Amor, procede en razón de don primero; por esto dice Agustín que, por medio de este don que es el Espíritu Santo, muchos otros dones se distribuyen a los miembros de Cristo(46). Entre estos dones se hallan aquellos ocultos avisos e invitaciones que se hacen sentir en la mente y en el corazón por la moción del Espíritu Santo; de ellos depende el principio del buen camino, el progreso en él y la salvación eterna. Y puesto que estas voces e inspiraciones nos llegan muy ocultamente, con toda razón en las Sagradas Escrituras alguna vez se dicen semejantes al susurro del viento; y el Angélico Doctor sabiamente las compara con los movimientos del corazón, cuya virtud toda se halla oculta: «El corazón tiene una cierta influencia oculta, y por ello al corazón se compara el Espíritu Santo que invisiblemente vivifica a la Iglesia y la une»(47).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> <em><strong>En los siete dones y en los frutos</strong></em> </span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">12. Y el hombre justo, que ya vive la vida de la divina gracia y opera por congruentes virtudes, como el alma por sus potencias, tiene necesidad de aquellos siete dones que se Ilaman propios del Espíritu Santo. Gracias a éstos el alma se dispone y se fortalece para seguir más fácil y prontamente las divinas inspiraciones: es tanta la eficacia de estos dones, que la conducen a la cumbre de la santidad; y tanta su excelencia, que perseveran intactos, aunque más perfectos, en el reino celestial. Merced a esos dones, el Espíritu Santo nos mueve y realza a desear y conseguir las evangélicas bienaventuranzas, que son como flores abiertas en la primavera, cual indicio y presagio de la eterna bienaventuranza. Y muy regalados son, finalmente, los frutos enumerados por el Apóstol(48) que el Espíritu Santo produce y comunica a los hombres justos, aun durante la vida mortal, llenos de toda dulzura y gozo, pues son del Espíritu Santo que en la Trinidad es el amor del Padre y del Hijo y que llena de infinita dulzura a las criaturas todas(49).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> Y así el Divino Espíritu, que procede del Padre y del Hijo en la eterna luz de santidad como amor y como don, luego de haberse manifestado a través de imágenes en el Antiguo Testamento, derrama la abundancia de sus dones en Cristo y en su cuerpo místico, la Iglesia; y con su gracia y saludable presencia alza a los hombres de los caminos del mal, cambiándoles de terrenales y pecadores en criaturas espirituales y casi celestiales. Pues tantos</span> <span style="font-size:small;"> y tan señalados son los beneficios recibidos de la bondad del Espíritu Santo, la gratitud nos obliga a volvernos a El, llenos de amor y devoción.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="center"><span style="font-size:small;"><strong><br />
EXHORTACIONES</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"><br />
<em><strong>Foméntese el conocimiento y amor del Espíritu Santo</strong></em> </span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">13. Seguramente harán esto muy bien y perfectamente los hombres cristianos si cada día se empeñaren más en conocerle, amarle y suplicarle; a ese fin tiende esta exhortación dirigida a los mismos, tal como surge espontánea de nuestro paternal ánimo.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Acaso no falten en nuestros días algunos que, de ser interrogados como en otro tiempo lo fueron algunos por San Pablo «si habían recibido el Espíritu Santo», contestarían a su vez: «Nosotros, ni siquiera hemos oído si existe el Espíritu Santo»(50). Que si a tanto no llega la ignorancia, en una gran parte de ellos es muy escaso su conocimiento sobre El; tal vez hasta con frecuencia tienen su nombre en los labios, mientras su fe está llena de crasas tinieblas. Recuerden, pues, los predicadores y párrocos que les pertenece enseñar con diligencia y claramente al pueblo la doctrina católica sobre el Espíritu Santo, mas evitando las cuestiones arduas y sutiles y huyendo de la necia curiosidad que presume indagar los secretos todos de Dios. Cuiden recordar y explicar claramente los muchos y grandes beneficios que del Divino Dador nos vienen constantemente, de forma que sobre cosas tan altas desaparezca el error y la ignorancia, impropios de los hijos de la luz. Insistimos en esto no sólo por tratarse de un misterio, que directamente nos prepara para la vida eterna y que, por ello, es necesario creer firme y expresamente, sino también porque, cuanto más clara y plenamente se conoce el bien, más intensamente se le quiere y se le ama. Esto es lo que ahora queremos recomendaros: Debemos amar al Espíritu Santo, porque es Dios: Amarás al Señor tu Dios con todo tu corazón, con toda tu alma y con toda tu fortaleza(51). Y ha</span> <span style="font-size:small;">de ser amado, porque es el Amor sustancial eterno y primero, y no hay cosa más amable que el amor; y luego tanto más le debemos amar cuanto que nos ha llenado de inmensos beneficios que, si atestiguan la benevolencia del donante, exigen la gratitud del alma que los recibe. Amor este que tiene una doble utilidad, ciertamente no pequeña. Primeramente nos obliga a tener en esta vida un conocimiento cada día más claro del Espíritu Santo: El que ama, dice Santo Tomás, no se contenta con un conocimiento superficial del amado, sino que se esfuerza por conocer cada una de las cosas que le pertenecen intrínsecamente, y así entra en su interior, como del Espíritu Santo, que es amor de Dios, se dice que examina hasta lo profundo de Dios(52). En segundo lugar, que será mayor aún la abundancia de sus celestiales dones, pues como la frialdad hace cerrarse la mano del donante, el agradecimiento la hace ensancharse. Y cuídese bien de que dicho amor no se limite a áridas disquisiciones o a externos actos religiosos; porque debe ser operante, huyendo del pecado, que es especial ofensa contra el Espíritu Santo. Cuanto somos y tenemos, todo es don de la divina bondad que corresponde como propia al Espíritu Santo; luego el pecador le ofende al mismo tiempo que recibe sus beneficios, y abusa de sus dones para ofenderle, al mismo tiempo que, porque es bueno, se alza contra El multiplicando incesantes sus culpas.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> <em><strong>No le entristezcamos</strong></em> </span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">14. Añádase, además, que, pues el «Espíritu Santo es espíritu de verdad, si alguno falta por debilidad o ignorancia, tal vez tenga alguna excusa ante el tribunal de Dios; mas el que por malicia se opone a la verdad o la</span> <span style="font-size:small;">rehúye, comete gravísimo pecado contra el Espíritu Santo. Pecado tan frecuente en nuestra época que parecen llegados los tristes tiempos descritos por San Pablo, en los cuales, obcecados los hombres por justo juicio de Dios, reputan como verdaderas las cosas falsas, y al príncipe de este mundo, que es mentiroso y padre de la mentira, le creen como a maestro de la verdad: Dios les enviará espíritu de error para que crean a la menlira(53): en los últimos tiempos se separarán algunos de la fe, para creer en los espíritus del error y en las doctrinas de los demonios(54): Y por cuanto el Espíritu Santo, según antes hemos dicho, habita en nosotros como en su templo, repitamos con el Apóstol: «No queráis contristar al Espíritu Santo de Dios, que os ha consagrado»(55). Para ello no basta huir de todo lo que es inmundo, sino que el hombre cristiano debe resplandecer en toda virtud, especialmente en pureza y santidad, para no desagradar a huésped tan grande, puesto que la pureza y la santidad son las propias del templo. Por ello exclama el mismo Apóstol: «Pero ¿es que no sabéis que sois templo de Dios y que el Espíritu de Dios habita en vosotros? Si alguno osare profanar el templo de Dios, será maldito de Dios, pues el templo debe ser santo y vosotros sois este templo»(56); amenaza tremenda, pero justísima.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> <em><strong>Pidamos el Espíritu Santo</strong></em> </span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">15. Por último, conviene rogar y pedir al Espíritu Santo, cuyo auxilio y protección todos necesitamos en extremo. Somos pobres, débiles, atribulados, inclinados al mal: luego recurramos a El, fuente inexhausta de luz, de consuelo y de gracia. Sobre todo, debemos pedirle perdón de los pecados, que tan necesario nos es, puesto que es el Espíritu Santo don del Padre y del Hijo, y los pecadores son perdonados por medio del Espíritu Santo como por don de Dios(57), lo cual se proclama expresamente en la liturgia cuando al Espíritu Santo le llama remisión de todos los pecados(58).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> Cuál sea la manera conveniente para invocarle, aprendámoslo de la Iglesia,</span> <span style="font-size:small;">que suplicante se vuelve al mismo Espíritu Santo y lo llama con los nombres más dulces de padre de los pobres, dador de los dones, luz de los corazones, consolador benéfico, huésped del alma, aura de refrigerio; y le suplica encarecidamente que limpie, sane y riegue nuestras mentes y nuestros corazones, y que conceda a todos los que en El confiamos el premio de la virtud, el feliz final de la vida presente, el perenne gozo en la futura. Ni cabe pensar que estas plegarias no sean escuchadas por aquel de quien leemos que ruega por nosotros con gemidos inefables(59). En resumen, debemos suplicarle con confianza y constancia para que diariamente nos ilustre más y más con su luz y nos inflame con su caridad, disponiéndonos así por la fe y por el amor a que trabajemos con denuedo por adquirir los premios eternos, puesto que El es la prenda de nuestra heredad(60).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> <em><strong>Novena del Espíritu Santo</strong></em> </span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">16. Ved, venerables hermanos, los avisos y exhortaciones nuestras sobre la devoción al Espíritu Santo, y no dudamos que por virtud principalmente de vuestro trabajo y solicitud, se han de producir saludables frutos en el pueblo cristiano. Cierto que jamás faltará nuestra obra en cosa de tan gran importancia; más aún, tenemos la intención de fomentar ese tan hermoso sentimiento de piedad por aquellos modos que juzgaremos más convenientes a tal fin. Entre tanto, puesto que Nos, hace ahora dos años, por medio del breve <em>Provida Matris</em>, recomendamos a los católicos para la solemnidad de Pentecostés algunas especiales oraciones a fin de suplicar por el cumplimiento de la unidad cristiana, nos place ahora añadir aquí algo más. Decretamos, por lo tanto, y mandamos que en todo el mundo católico en este año, y siempre en lo por venir, a la fiesta de Pentecostés preceda la novena en todas las iglesias parroquiales y también aun en los demás templos y oratorios, a juicio de los Ordinarios.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Concedemos la <em>indulgencia</em> de siete años y otras tantas cuarentenas por cada día a todos los que asistieren a la novena y oraren según nuestra intención, además de la indulgencia plenaria en un día de la novena, o en la fiesta de Pentecostés y aun dentro de la octava, siempre que confesados y comulgados oraren según nuestra intención. Queremos igualmente también que gocen de tales beneficios todos aquellos que, <em>legítimamente impedidos</em>, no puedan asistir a dichos cultos públicos, y ello aun en los lugares donde no pudieren celebrarse cómodamente </span><span style="font-size:small;">—</span><span style="font-size:small;">a juicio del Ordinario</span><span style="font-size:small;">—</span><span style="font-size:small;"> en el templo, con tal que privadamente hagan la novena y cumplan las demás obras y condiciones prescritas. Y nos place añadir del tesoro de la Iglesia que puedan lucrar nuevamente una y otra indulgencia todos los que en privado o en público renueven según su propia devoción algunas oraciones al Espíritu Santo cada día de la octava de Pentecostés hasta la fiesta inclusive de la Santísima Trinidad, siempre que cumplan las demás condiciones arriba indicadas. Todas estas indulgencias son aplicables también aun a las benditas almas del Purgatorio.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> <strong><em>El Espíritu Santo y la Virgen María</em></strong> </span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">17. Y ahora nuestro pensamiento se vuelve adonde comenzó, a fin de lograr del divino Espíritu, con incesantes oraciones su cumplimiento. Unid, pues, venerables hermanos, a nuestras oraciones también las vuestras, así como las de todos los fieles, interponiendo la poderosa y eficaz mediación de la Santísima Virgen. Bien sabéis cuán íntimas e inefables relaciones existen entre ella y el Espíritu Santo, pues que es su Esposa inmaculada. La Virgen cooperó con su oración muchísimo así al misterio de la Encarnación como a la venida del Espíritu Santo sobre los apóstoles. Que Ella continúe, pues, realzando con su patrocinio nuestras comunes oraciones, para que en medio de las afligidas naciones se renueven los divinos prodigios del Espíritu Santo, celebrados ya por el profeta David: «Manda tu Espíritu y serán creados, y renovarás la faz de la tierra»(61) .</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"> <em>Dado en Roma, junto a San Pedro, el día 9 de mayo del año 1897, vigésimo de nuestro pontificado</em>. </span></p>
<hr />
<p align="left"><span style="font-size:small;"><strong>Notas</strong></span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">1. <em>Jn</em> 16,7.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">2. <em>Job</em> 26,13.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">3. <em>Sab</em> 1,7.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">4. S. León M., <em>Sermo 2 in anniv. ass. suae</em>.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">5. <em>De Spiritu Sancto</em> 16,39.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">6. <em>Jn</em> 1,18.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">7. I q.31 a.2; <em>De Trin</em>. 1,3.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">8. <em>Rom</em> 11,36.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">9. <em>De Trin</em>. 6 10; 1,6.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">10.S. Agustín, <em>De Trin</em>., 1,4 y 5.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">11. S. Agustín, <em>ibíd</em>.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">12. <em>S. Th.</em>, I q.39 a.7.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">13. S. Agustín, <em>De Trin</em>. 4,20.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">14. <em>Mt</em> 1,18.20.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">15. <em>1 Tim</em> 3,16. </span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">16. <em>Jn</em> 3,16.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">17. <em>Enchir</em>. 30. S. Thom., II q.32 a.l.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">18. <em>Hech</em> 10,38.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">19. S. Basil., <em>De Sp</em>. S. 16.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">20. <em>Heb</em> 9,14.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">21. 4,1; 11,2.3.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">22. <em>De Trin</em>. 15,26.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">23. 2,28.29.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">24 Cir. Hierosol., <em>Catech</em>. 17.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">25. <em>In Mat</em>, hom.l; <em>2 Cor</em> 3,3.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">26. <em>Jn</em> 16,12.13.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">27. <em>Ibíd</em>. 14.16,17. </span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">28. <em>Hech</em> 20,28.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">29. <em>Jn</em> 20,22.23.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">30. S. Agustín, <em>Serm</em>. 187 <em>de temp</em>.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">31. 7,38.39.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">32. S. León M., <em>Hom.</em> 3 <em>de Pentec</em>.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">33. <em>Gál</em> 4,1.2.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">34. 7,39.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">35 <em>Ef</em> 4,8.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">36, Agustín, D<em>e Trin</em>. 1,4, c.20. </span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">37. S. Cir. Alex., <em>Thesam</em>. 1,5, c.5.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">38. <em>Ef</em> 2,3. </span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">39. <em>Rom</em> 8,15.16.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">40. III q.32, a.l</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">41. <em>Jn</em> 3,7.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">42. <em>Rom</em> 5,5.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">43. <em>S. Th.</em>, I q.8, a.3.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">44. <em>Jn</em> 14,23.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">45. <em>1 Cor</em> 6,19.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">46. I q.38, a.2. S. Agustín, <em>De Trin</em>. 15,19.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">47. II q.8, a.l.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">48. <em>Gál</em> v.22.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">49. S. Agustín, <em>De Trin</em>. 5,9.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;"> 50. <em>Hech</em> 19,2 </span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">51. <em>Deut</em> 6,5.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">52. <em>1 Cor</em> 2,10; I-II q.28, a.2.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">53. <em>2 Tes</em> 2,10.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">54. <em>1 Tim</em> 4,1</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">55. <em>Ef</em> 4,30.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">56.<em>1 Cor</em> 3, 16, I 7. </span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">57. <em>S. Th.</em> III q.3, a.8 ad 3.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">58. <em>In Miss. Rom. fer.</em> 3 <em>post Pent.</em></span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">59. <em>Rom</em> 8,26.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">60. <em>Ef</em> 1,14.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">61. <em>Sal</em> 103,30.</span></p>
<p align="left">
<p align="left">Fonte: <a href="http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_09051897_divinum-illud-munus_sp.html">Vaticano</a></p>
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		<title>Diuturnum Illud</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 03:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ecclésiam Cathólicam</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[CARTA ENCÍCLICA DIUTURNUM ILLUD DEL SUMO PONTÍFICE LEÓN XIII SOBRE LA AUTORIDAD POLÍTICA 1. La prolongada y terrible guerra declarada contra la autoridad divina de la Iglesia ha llegado adonde tenía que llegar: a poner en peligro universal la sociedad humana y, en especial, la autoridad política, en la cual estriba fundamentalmente la salud pública. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ecclesiam.wordpress.com&amp;blog=6043237&amp;post=472&amp;subd=ecclesiam&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ecclesiam.files.wordpress.com/2012/01/2283666214_d316a09dec_b-1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-473" title="Papa Leão XIII" src="http://ecclesiam.files.wordpress.com/2012/01/2283666214_d316a09dec_b-1.jpg?w=500&#038;h=665" alt="" width="500" height="665" /></a></p>
<p align="center"><span style="font-size:small;">CARTA ENCÍCLICA<br />
</span> <strong><em><span style="font-size:medium;">DIUTURNUM ILLUD</span></em></strong><span style="font-size:small;"><br />
DEL SUMO PONTÍFICE<br />
LEÓN XIII<br />
SOBRE LA AUTORIDAD POLÍTICA </span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left">
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">1. La prolongada y terrible guerra declarada contra la autoridad divina de la Iglesia ha llegado adonde tenía que llegar: a poner en peligro universal la sociedad humana y, en especial, la autoridad política, en la cual estriba fundamentalmente la salud pública. Hecho que vemos verificado sobre todo en este nuestro tiempo.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Las pasiones desordenadas del pueblo rehúsan, hoy más que nunca, todo vínculo de gobierno. Es tan grande por todas partes la licencia, son tan frecuentes las sediciones y las turbulencias, que no solamente se ha negado muchas veces a los gobernantes la obediencia, sino que ni aun siquiera les ha quedado un refugio seguro de salvación. Se ha procurado durante mucho tiempo que los gobernantes caigan en el desprecio y odio de las muchedumbres, y, al aparecer las llamas de la envidia preconcebida, en un pequeño intervalo de tiempo la vida de los príncipes más poderosos ha sido buscada muchas veces hasta la muerte con asechanzas ocultas o con manifiestos atentados. Toda Europa ha quedado horrorizada hace muy poco al conocer el nefando asesinato de un poderoso emperador. Atónitos todavía los ánimos por la magnitud de semejante delito, no reparan, sin embargo, ciertos hombres desvergonzados, en lanzar a cada paso amenazas terroristas contra los demás reyes de Europa.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">2. Estos grandes peligros públicos, que están a la vista, nos causan una grave preocupación al ver en peligro casi a todas horas la seguridad de los príncipes, la tranquilidad de los Estados y la salvación de los pueblos. Y, sin embargo, la virtud divina de la religión cristiana engendró los egregios fundamentos de la estabilidad y el orden de los Estados desde el momento en que penetró en las costumbres e instituciones de las ciudades. No es el más pequeño y último fruto de esta virtud el justo y sabio equilibrio de derechos y deberes entre los príncipes y los pueblos. Porque los preceptos y ejemplos de Cristo Señor nuestro poseen una fuerza admirable para contener en su deber tanto a 1os que obedecen como a los que mandan y para conservar entre unos y otros la unión y concierto de voluntades, que es plenamente conforme con la naturaleza y de la que nace el tranquilo e imperturbado curso de los asuntos públicos. Por esto, habiendo sido puestos por la gracia de Dios al frente de la Iglesia católica como custodio e intérprete de la doctrina de Cristo, Nos juzgamos, venerables hermanos, que es incumbencia de nuestra autoridad recordar públicamente qué es lo que de cada uno exige la verdad católica en esta clase de deberes. De esta exposición brotará también el camino y la manera con que en tan deplorable estado de cosas debe atenderse a la seguridad pública.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="center"><span style="font-size:small;"><strong>I. DOCTRINA CATÓLICA<br />
SOBRE EL ORIGEN DE LA AUTORIDAD</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em><span style="font-size:small;"><br />
Necesidad de la autoridad</span></em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">3. Aunque el hombre, arrastrado por un arrogante espíritu de rebelión, intenta muchas veces sacudir los frenos de la autoridad, sin embargo, nunca ha podido lograr la liberación de toda obediencia. La necesidad obliga a que haya algunos que manden en toda reunión y comunidad de hombres, para que la sociedad, destituida de principio o cabeza rectora, no desaparezca y se vea privada de alcanzar el fin para el que nació y fue constituida. Pero si bien no ha podido lograrse la destrucción total de la autoridad política en los Estados, se ha querido, sin embargo, emplear todas las artes y medios posibles para debilitar su fuerza y disminuir su majestad. Esto sucedió principalmente en el siglo XVI, cuando una perniciosa novedad de opiniones sedujo a muchos. A partir de aquel tiempo, la sociedad pretendió no sólo que se le diese una libertad más amplia de lo justo, sino que también quiso modelar a su arbitrio el origen y la constitución de la sociedad civil de los hombres. Pero hay más todavía. Muchos de nuestros contemporáneos, siguiendo las huellas de aquellos que en el siglo pasado se dieron a sí mismos el nombre de filósofos, afirman que todo poder viene del pueblo. Por lo cual, los que ejercen el poder no lo ejercen como cosa propia, sino como mandato o delegación del pueblo, y de tal manera, que tiene rango de ley la afirmación de que la misma voluntad popular que entregó el poder puede revocarlo a su antojo. Muy diferente es en este punto la doctrina católica, que pone en Dios, como un principio natural y necesario, el origen del poder político.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">4. Es importante advertir en este punto que los que han de gobernar los Estados pueden ser elegidos, en determinadas circunstancias, por la voluntad y juicio de la multitud, sin que la doctrina católica se oponga o contradiga esta elección. Con esta elección se designa el gobernante, pero no se confieren los derechos del poder. Ni se entrega el poder como un mandato, sino que se establece la persona que lo ha de ejercer. No se trata en esta encíclica de las diferentes formas de gobierno. No hay razón para que la Iglesia desapruebe el gobierno de un solo hombre o de muchos, con tal que ese gobierno sea justo y atienda a la común utilidad. Por lo cual, salvada la justicia, no está prohibida a los pueblos la adopción de aquel sistema de gobierno que sea más apto y conveniente a su manera de ser o a las intituciones y costumbres de sus mayores.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><strong><em><span style="font-size:small;">El poder viene de Dios</span></em></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">5. Pero en lo tocante al origen del poder político, la Iglesia enseña rectamente que el poder viene de Dios. Así lo encuentra la Iglesia claramente atestiguado en las Sagradas Escrituras y en los monumentos de la antigüedad cristiana. Pero, además, no puede pensarse doctrina alguna que sea más conveniente a la razón o más conforme al bien de los gobernantes y de los pueblos.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">6. Los libros del Antiguo Testamento afirman claramente en muchos lugares que la fuente verdadera de la autoridad humana está en Dios: «Por mí reinan los reyes&#8230;; por mí mandan los príncipes, y gobiernan los poderosos de la tierra»(1). Y en otra parte: «Escuchad vosotros, los que imperáis sobre las naciones&#8230;, porque el poder os fue dado por Dios y la soberanfa por el Altísimo»(2). Lo cual se contiene también en el libro del Eclesiástico: «Dios dio a cada nación un jefe»(3). Sin embargo, los hombres que habían recibido estas enseñanzas del mismo Dios fueron olvidándolas paulatinamente a causa del paganismo supersticioso, el cual, así como corrompió muchas nociones e ideas de la realidad, así también adulteró la genuina idea y la hermosura de la autoridad política. Más adelante, cuando brilló la luz del Evangelio cristiano, la vanidad cedió su puesto a la verdad, y de nuevo empezó a verse claro el principio noble y divino del que proviene toda autoridad. Cristo nuestro Señor respondió al presidente romano, que se arrogaba la potestad de absolverlo y condenarlo: «No tendrías ningún poder sobre mí si no te hubiera sido dado de lo alto»(4). Texto comentado por San Agustín, quien dice: «Aprendamos lo que dijo, que es lo mismo que enseñó por el Apóstol, a saber: que no hay autoridad sino por Dios»(5). A la doctrina y a los preceptos de Jesucristo correspondió como eco la voz incorrupta de los apóstoles. Excelsa y llena de gravedad es la sentencia de San Pablo dirigida a los romanos, sujetos al poder de los emperadores paganos: No hay autoridad sino por Dios. De la cual afirmación, como de causa, deduce la siguiente conclusión: La autoridad es ministro de Dios(6).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">7. Los Padres de la Iglesia procuraron con toda diligencia afirmar y propagar esta misma doctrina, en la que habían sido enseñados. «No atribuyamos —dice San Agustín— sino a sólo Dios verdadero la potestad de dar el reino y el poder»(7). San Juan Crisóstomo reitera la misma enseñanza: «Que haya principados y que unos manden y otros sean súbditos, no sucece el acaso y temerariamente&#8230;, sino por divina sabiduría»(8). Lo mismo atestiguó San Gregorio Magno con estas palabras: «Confesamos que el poder les viene del cielo a los emperadores y reyes»(9). Los mismos santos Doctores procuraron también ilustrar estos mismos preceptos aun con la sola luz natural de la razón, de forma que deben parecer rectos y verdaderos incluso a los que no tienen otro guía que la razón.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">En efecto, es la naturaleza misma, con mayor exactitud Dios, autor de la Naturaleza, quien manda que los hombres vivan en sociedad civil. Demuestran claramente esta afirmación la facultad de hablar, máxima fomentadora de la sociedad; un buen número de tendencias innatas del alma, y también muchas cosas necesarias y de gran importancia que los hombres aislados no pueden conseguir y que unidos y asociados unos con otros pueden alcanzar. Ahora bien: no puede ni existir ni concebirse una sociedad en la que no haya alguien que rija y una las voluntades de cada individuo, para que de muchos se haga una unidad y las impulse dentro de un recto orden hacia el bien común. Dios ha querido, por tanto, que en la sociedad civil haya quienes gobiernen a la multitud. Existe otro argumento muy poderoso. Los gobernantes, con cuya autoridad es administrada la república, deben obligar a los ciudadanos a la obediencia, de tal manera que el no obedecerles constituya un pecado manifiesto. Pero ningún hombre tiene en sí mismo o por sí mismo el derecho de sujetar la voluntad libre de los demás con los vínculos de este imperio. Dios, creador y gobernador de todas las cosas, es el único que tiene este poder. Y los que ejercen ese poder deben ejercerlo necesariamente como comunicado por Dios a ellos: «Uno solo es el legislador y el juez, que puede salvar y perder»(10). Lo cual se ve tambíén en toda clase de poder. Que la potestad que tienen los sacerdotes dimana de Dios es verdad tan conocida, que en todos los pueblos los sacerdotes son considerados y llamados ministros de Dios. De modo parecido, la potestad de los padres de familia tiene grabada en sí cierta efigie y forma de la autoridad que hay en Dios, «de quien procede toda familia en los cielos y en la tierra»(11). Por esto las diversas especies de poder tienen entre sí maravillosas semejanzas, ya que toda autoridad y poder, sean los que sean, derivan su origen de un solo e idéntico Creador y Señor del mundo, que es Dios.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">8. Los que pretenden colocar el origen de la sociedad civil en el libre consentimiento de los hombres, poniendo en esta fuente el principio de toda autoridad política, afirman que cada hombre cedió algo de su propio derecho y que voluntariamente se entregó al poder de aquel a quien había correspondido la suma total de aquellos derechos. Pero hay aquí un gran error, que consiste en no ver lo evidente. Los hombres no constituyen una especie solitaria y errante. Los hombres gozan de libre voluntad, pero han nacido para formar una comunidad natural. Además, el pacto que predican es claramente una ficción inventada y no sirve para dar a la autoridad política la fuerza, la dignidad y la firmeza que requieren la defensa de la república y la utilidad común de los ciudadanos. La autoridad sólo tendrá esta majestad y fundamento universal si se reconoce que proviene de Dios como de fuente augusta y santísima.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="center"><strong><span style="font-size:small;">II. UTILIDAD DE LA DOCTRINA CATÓLICA<br />
ACERCA DE LA AUTORIDAD</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"><br />
<em><strong>La concepción cristiana del poder político</strong></em></span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">9. Es imposible encontrar una enseñanza más verdadera y más útil que la expuesta. Porque si el poder político de los gobernantes es una participación del poder divino, el poder político alcanza por esta misma razón una dignidad mayor que la meramente humana. No precisamente la impía y absurda dignidad pretendida por los emperadores paganos, que exigían algunas veces honores divinos, sino la dignidad verdadera y sólida, la que es recibida por un especial don de Dios. Pero además los gobernados deberán obedecer a los gobernantes como a Dios mismo, no por el temor del castigo, sino por el respeto a la majestad, no con un sentimiento de servidumbre, sino como deber de conciencia. Por lo cual, la autoridad se mantendrá en su verdadero lugar con mucha mayor firmeza. Pues, experimentando los ciudadanos la fuerza de este deber, huirán necesariamente de la maldad y la contumacia, ya que deben estar persuadidos de que los que resisten al poder político resisten a la divina voluntad, y que los que rehúsan honrar a los gobernantes rehúsan honrar al mismo Dios.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">10. De acuerdo con esta doctrina, instruyó el apóstol San Pablo particularmente a los romanos. Escribió a éstos acerca de la reverencia que se debe a los supremos gobernantes, con tan gran autoridad y peso, que no parece pueda darse una orden con mayor severidad: «Todos habéis de estar sometidos a las autoridades superiores&#8230; Que no hay autoridad sino por Dios, y las que hay, por Dios han sido ordenadas, de suerte que quien resiste a la autoridad resiste a la disposición de Dios, y los que la resisten atraen sobre sí la condenación&#8230; Es preciso someterse no sólo por temor del castigo, sino por conciencia»(12). Y en esta misma línea se mueve la noble sentencia de San Pedro, Príncipe de los Apóstoles: «Por amor del Señor estad sujetos a toda autoridad humana —constituida entre vosotros—, ya al emperador, como soberano, ya a los gobernadores, como delegados suyos, para castigo de los malhechores y elogio de los buenos. Tal es la voluntad de Dios»(13).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">11. Una sola causa tienen los hombres para no obedecer: cuando se les exige algo que repugna abiertamente al derecho natural o al derecho divino. Todas las cosas en las que la ley natural o la voluntad de Dios resultan violadas no pueden ser mandadas ni ejecutadas. Si, pues, sucede que el hombre se ve obligado a hacer una de dos cosas, o despreciar los mandatos de Dios, o despreciar la orden de los príncipes, hay que obedecer a Jesucristo, que manda dar al César lo que es del César y a Dios lo que es de Dios(14). A ejemplo de los apóstoles, hay que responder animosamente: «Es necesario obedecer a Dios antes que a los hombres»(15). Sin embargo, los que así obran no pueden ser acusados de quebrantar la obediencia debida, porque si la voluntad de los gobernantes contradice a la voluntad y las leyes de Dios, los gobernantes rebasan el campo de su poder y pervierten la justicia. Ni en este caso puede valer su autoridad, porque esta autoridad, sin la justicia, es nula.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">12. Pero para que la justicia sea mantenida en el ejercicio del poder, interesa sobremanera que quienes gobiernan los Estados entiendan que el poder político no ha sido dado para el provecho de un particular y que el gobierno de la república no puede ser ejercido para utilidad de aquellos a quienes ha sido encomendado, sino para bien de los súbditos que les han sido confiados. Tomen los príncipes ejemplo de Dios óptimo máximo, de quien les ha venido la autoridad. Propónganse la imagen de Dios en la administración de la república, gobiernen al pueblo con equidad y fidelidad y mezclen la caridad paterna con la severidad necesaria. Por esta causa las Sagradas Letras avisan a los príncipes que ellos también tienen que dar cuenta algún día al Rey de los reyes y Señor de los señores. Si abandonan su deber, no podrán evitar en modo alguno la severidad de Dios. «Porque, siendo ministros de su reino, no juzgasteis rectamente&#8230; Terrible y repentina vendrá sobre vosotros, porque de los que mandan se ha de hacer severo juicio; el Señor de todos no teme de nadie ni respetará la grandeza de ninguno, porque El ha hecho al pequeño y al grande e igualmente cuida de todos; pero a los poderosos amenaza poderosa inquisición»(16).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">13. Con estos preceptos que aseguran la república se quita toda ocasión y aun todo deseo de sediciones. Y quedan consolidados en lo sucesivo, al honor y la seguridad de los príncipes, la tranquilidad y la seguridad de los Estados. Queda también salvada la dignidad de los ciudadanos, a los cuales se les concede conservar, en su misma obediencia, el decoro adecuado a la excelencia del hombre. Saben muy bien que a los ojos de Dios no hay siervo ni libre, que hay un solo Señor de todos, rico para todos los que lo invocan(17), y que ellos están sujetos y obedecen a los príncipes, porque éstos son en cierto modo una imagen de Dios, a quien servir es reinar(18).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><em><strong><span style="font-size:small;">Su realización histórica</span></strong></em></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">14. La Iglesia ha procurado siempre que esta concepción crístiana del poder político no sólo se imprima en los ánimos, sino que también quede expresada en la vida pública y en las costumbres de los pueblos. Mientras en el trono del Estado se sentaron los emperadores paganos, que por la superstición se veían incapacitados para alcanzar esta concepción del poder que hemos bosquejado, la Iglesia procuró inculcarla en las mentes de los pueblos, los cuales, tan pronto como aceptaban las instituciones cristianas, debían ajustar su vida a las mismas. Y así los Pastores de las almas, renovando los ejemplos del apóstol San Pablo, se consagraban, con sumo cuidado y diligencia, a predicar a los pueblos que vivan sumisos a los príncipes y a las autoridades y que los obedezcan(19). Asimismo, que orasen a Dios por todos los hombres, pero especialmente por los emperadores y por todos los constituidos en dignidad, porque esto es bueno y grato ante Dios nuestro Salvador(20). De todo lo cual los antiguos cristianos nos dejaron brillantes enseñanzas, pues siendo atormentados injusta y cruelmente por los emperadores paganos, jamás dejaron de conducirse con obediencia y con sumisión, en tales términos que parecía claramente que iban como a porfía los emperadores en la crueldad y los cristianos en la obediencia. Era tan grande esta modestia cristiana y tan cierta la voluntad de obedecer, que no pudieron ser oscurecidas por las maliciosas calumnias de los enemigos. Por lo cual, aquellos que habían de defender públicamente el cristianismo en presencia de los emperadores, demostraban principalmente con este argumento que era injusto castigar a los cristianos según las leyes, pues vivían de acuerdo con éstas a los ojos de todos, para dar ejemplo de observancia. Así hablaba Atenágoras con toda confianza a Marco Aurelio y a su hijo Lucio Aurelio Cómmodo: «Permitís que nosotros, que ningún mal hacemos, antes bien nos conducimos con toda piedad y justicia, no sólo respecto a Dios, sino también respecto al Imperio, seamos perseguidos, despojados, desterrados»(21). Del mismo modo alababa públicamente Tertuliano a los cristianos, porque eran, entre todos, los mejores y más seguros amigos del imperio: «El cristiano no es enemigo de nadie, ni del emperador, a quien, sabiendo que está constituido por Dios, debe amar, respetar, honrar y querer que se salve con todo el Imperio romano»(22). Y no dudaba en afirmar que en los confines del imperio tanto más disminuía el número de sus enemigos cuanto más crecía el de los cristianos: «Ahora tenéis pocos enemigos, porque los cristianos son mayoría, pues en casi todas las ciudades son cristianos casi todos los ciudadanos»(23). También tenemos un insigne testimonio de esta misma realidad en la <em>Epístola a Diogneto</em>, la cual confirma que en aquel tiempo los cristianos se habían acostumbrado no sólo a servir y obedecer las leyes, sino que satisfacían a todos sus deberes con mayor perfección que la que les exigían las leyes: «Los cristianos obedecen las leyes promulgadas y con su género de vida pasan más allá todavía de lo que las leyes mandan»(24).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">15. Sin embargo, la cuestión cambiaba radicalmente cuando los edictos imperiales y las amenazas de los pretores les mandaban separarse de la fe cristiana o faltar de cualquier manera a los deberes que ésta les imponía. No vacilaron entonces en desobedecer a los hombres para obedecer y agradar a Dios. Sin embargo, incluso en estas circunstancias no hubo quien tratase de promover sediciones ni de menoscabar la majestad del emperador, ni jamás pretendieron otra cosa que confesarse cristianos, serlo realmente y conservar incólume su fe. No pretendían oponer en modo alguno resistencia, sino que marchaban contentos y gozosos, como nunca, al cruento potro, donde la magnitud de los tormentos se veía vencida por la grandeza de alma de los cristianos. Por esta razón se llegó también a honrar en aquel tiempo en el ejército la eficacia de los principios cristianos. Era cualidad sobresaliente del soldado cristiano hermanar con el valor a toda prueba el perfecto cumplimiento de la disciplina militar y mantener unida a su valentía la inalterable fidelidad al emperador. Sólo cuando se exigían de ellos actos contrarios a la fe o la razón, como la violación de los derechos divinos o la muerte cruenta de indefensos discípulos de Cristo, sólo entonces rehusaban la obediencia al emperador, prefiriendo abandonar las armas y dejarse matar por la religión antes que rebelarse contra la autoridad pública con motines y sublevaciones.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">16. Cuando los Estados pasaron a manos de príncipes cristianos, la Iglesia puso más empeño en declarar y enseñar todo lo que hay de sagrado en la autoridad de los gobernantes. Con estas enseñanzas se logró que los pueblos, cuando pensaban en la autoridad, se acostumbrasen a ver en los gobernantes una imagen de la majestad divina, que les impulsaba a un mayor respeto y amor hacia aquéllos. Por lo mismo, sabiamente dispuso la Iglesia que los reyes fuesen consagrados con los ritos sagrados, como estaba mandado por el mismo Dios en el Antigua Testamento. Cuando la sociedad civil, surgida de entre las ruinas del Imperia romano, se abrió de nuevo a la esperanza de la grandeza cristiana, los Romanos Pontífices consagraron de un modo singular el poder civil con el <em>imperium sacrum</em>. La autoridad civil adquirió de esta manera una dignidad desconocida. Y no hay duda que esta institución habría sido grandemente útil, tanto para la sociedad religiosa como para la sociedad civil, si los príncipes y los pueblos hubiesen buscado lo que la Iglesia buscaba. Mientras reinó una concorde amistad entre ambas potestades, se conservaron la tranquilidad y la prosperidad públicas. Si alguna vez los pueblos incurrían en el pecado de rebelión, al punto acudía la Iglesia, conciliadora nata de la tranquilidad, exhortando a todos al cumplimiento de sus deberes y refrenando los ímpetus de la concupiscencia, en parte con la persuasión y en parte con su autoridad. De modo semejante, si los reyes pecaban en el ejercicio del poder, se presentaba la Iglesia ante ellos y, recordándoles los derechos de los pueblos, sus necesidades y rectas aspiraciones, les aconsejaba justicia, clemencia y benignidad. Por esta razón se ha recurrido muchas veces a la influencia de la Iglesia para conjurar los peligros de las revoluciones y de las guerras civiles.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><em><strong><span style="font-size:small;">Las nuevas teorías</span></strong></em></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">17. Por el contrario, las teorías sobre la autoridad política, inventadas por ciertos autores modernos, han acarreado ya a la humanidad serios disgustos, y es muy de temer que, andando el tiempo, nos traerán mayores males. Negar que Dios es la fuente y el origen de la autoridad política es arrancar a ésta toda su dignidad y todo su vigor. En cuanto a la tesis de que el poder político depende del arbitrio de la muchedumbre, en primer lugar, se equivocan al opinar así. Y, en segundo lugar, dejan asentada la soberanía sobre un cimiento demasiado endeble e inconsistente. Porque las pasiones populares, estimuladas con estas opiniones como con otros tantos acicates, se alzan con mayor insolencia y con gran daño de la república se precipitan, por una fácil pendiente, en movimientos clandestinos y abiertas sediciones. Las consecuencias de la llamada <em>Reforma</em> comprueban este hechos. Sus jefes y colaboradores socavaron con la piqueta de las nuevas doctrinas los cimientos de la sociedad civil y de la sociedad eclesiástica y provocaron repentinos alborotos y osadas rebeliones, principalmente en Alemania. Y esto con una fiebre tan grande de guerra civil y de muerte, que casi no quedó territorio alguno libre de la crueldad de las turbas. De aquella herejía nacieron en el siglo pasado una filosofia falsa, el llamado derecho nuevo, la soberanía popular y una descontrolada licencia, que muchos consideran como la única libertad. De aquí se ha llegado a esos errores recientes que se llaman comunismo, socialismo y nihilismo, peste vergonzosa y amenaza de muerte para la sociedad civil. Y, sin embargo, son muchos los que se esfuerzan por extender el imperio de males tan grandes y, con el pretexto de favorecer al pueblo, han provocado no pequeños incendios y ruinas. Los sucesos que aquí recordamos ni son desconocidos ni están muy lejanos.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="center"><strong><span style="font-size:small;">III. NECESIDAD DE LA DOCTRINA CATÓLICA</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">18. Y lo peor de todo es que los príncipes, en medio de tantos peligros, carecen de remedios eficaces para restablecer la disciplina pública y pacificar los ánimos. Se arman con la autoridad de las leyes y piensan que podrán reprimir a los revoltosos con penas severas. Proceden con rectitud. Pero conviene advertir seriamente que la eficacia del castigo no es tan grande que pueda conservar ella sola el orden en los Estados. El miedo, como enseña Santo Tomás, «es un fundamento débil, porque los que se someten por miedo, cuando ven la ocasión de escapar impunes, se levantan contra los gobernantes con tanta mayor furia cuanto mayor ha sido la sujeción forzada, impuesta únicamente por el miedo. Y, además, el miedo exagerado arrastra a muchos a la desesperación, y la desesperación se lanza audazmente a las más atroces resoluciones»(25). La experiencia ha demostrado suficientemente la gran verdad de estas afirmaciones. </span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Es necesario, por tanto, buscar una causa más alta y más eficaz para la obediencia. Hay que establecer que la severidad de las leyes resultará infructuosa mientras los hombres no actúen movidos por el estímulo del deber y por la saludable influencia del temor de Dios. Esto puede conseguirlo como nadie la religión. La religión se insinúa por su propia fuerza en las almas, doblega la misma voluntad del hombre para que se una a sus gobernantes no sólo por estricta obediencia, sino también por la benevolencia de la caridad, la cual es en toda sociedad humana la garantía más firme de la seguridad.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">19. Por lo cual hay que reconocer que los Romanos Pontífices hicieron un gran servicio al bien común cuando procuraron quebrantar la inquieta e hinchada soberbia de los innovadores advirtiendo el peligro que éstos constituían para la sociedad civil. Es digna de mención a este respecto la afirmación dirigida por Clemente VII a Fernando, rey de Bohemia y Hungría: «En la causa de la fe va incluida también la dignidad y utilidad, tanto tuya como de los demás soberanos, pues no es posible atacar a la fe sin grave ruina de vuestros propios intereses, lo cual se ha comprobado recientemente en algunos de esos territorios». En esta misma línea ha brillado la providente firmeza de nuestros predecesores, especialmente de Clemente XII, Benedicto XIV y León XII, quienes, al ver cundir extraordinariamente la epidemia de estas depravadas teorías y al comprobar la audacia creciente de las sectas, hicieron uso de su autoridad para cortarles el paso y evitar su entrada. Nos mismos hemos denunciado muchas veces la gravedad de los peligros que nos amenazan. Y hemos indicado al mismo tiempo el mejor remedio para conjurarlos. Hemos ofrecido a los príncipes y a todos los gobernantes el apoyo de la Iglesia. Hemos exhortado a los pueblos a que se aprovechen de los bienes espirituales que la Iglesia les proporciona. De nuevo hacemos ahora a los reyes el ofrecimiento de este apoyo, el más firme de todos, y con vehemencia les amonestamos en el Señor para que defiendan a la religión, y en ínterés del mismo Estado concedan a la Iglesia aquella libertad de la cual no puede ser privada sin injusticia y perdición de todos. La Iglesia de Cristo no puede ser sospechosa a los príncipes ni mal vista por los pueblos. La Iglesia amonesta a los príncipes para que ejerzan la justicia y no se aparten lo más mínimo de sus deberes. Pero al mismo tiempo y de muchas maneras robustece y fomenta su autoridad. Reconoce y declara que los asuntos propios de la esfera civil se hallan bajo el poder y jurisdicción de los gobernantes. Pero en las materias que afectan simultáneamente, aunque por diversas causas, a la potestad civil y a la potestad eclesiástica, la Iglesia quiere que ambas procedan de común acuerdo y reine entre ellas aquella concordia que evita contiendas desastrosas para las dos partes. Por lo que toca a los pueblos, la Iglesia ha sido fundada para la salvación de todos los hombres y siempre los ha amado como madre. Es la Iglesia la que bajo la guía de la caridad ha sabido imbuir mansedumbre en las almas, humanidad en las costumbres, equidad en las leyes, y siempre amiga de la libertad honesta, tuvo siempre por costumbre y práctica condenar la tiranía. Esta costumbre, ingénita en la Iglesia, ha sido expresada por San Agustín con tanta concisión como claridad en estas palabras: «Enseña [la Iglesia] que los reyes cuiden a los pueblos, que todos los pueblos se sujeten a sus reyes, manifestando cómo no todo se debe a todos, aunque a todos es debida la claridad y a nadie la injusticia»(26).</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">20. Por estas razones, venerables hermanos, vuestra obra será muy útil y totalmente saludable si consultáis con Nos todas las empresas que por encargo divino habéis de llevar a cabo para apartar de la sociedad humana estos peligrosos daños. Procurad y velad para que los preceptos establecidos por la Iglesia católica respecto del poder político del deber de obediencia sean comprendidos y cumplidos con diligencia por todos los hombres. Como censores y maestros que sois, amonestad sin descanso a los pueblos para que huyan de las sectas prohibidas, abominen las conjuraciones y que nada intenten por medio de la revolución. Entiendan todos que, al obedecer por causa de Dios a los gobernantes, su obediencia es un obsequio razonable. Pero como es Dios quien da la victoria a los reyes(27) y concede a los pueblos el descanso en la morada de la paz, en la habitación de la seguridad y en el asilo del reposo(28), es del todo necesario suplicarle insistentemente que doblegue la voluntad de todos hacia la bondad y la verdad, que reprima las iras y restituya al orbe entero la paz y tranquilidad hace tiempo deseadas.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">21. Para que la esperanza en la oración sea más firme, pongamos por intercesores a la Virgen María, ínclita Madre de Dios, auxilio de los cristianos y protectora del género humano; a San José, su esposo castísimo, en cuyo patrocinio confía grandemente toda la Iglesia; a los apóstoles San Pedro y San Pablo, guardianes y defensores del nombre cristiano.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;">Entre tanto, y como augurio del galardón divino, os damos afectuosamente a vosotros, venerables hermanos, al clero y al pueblo confiado a vuestro cuidado, nuestra bendición apostólica.</span></p>
<p style="text-align:justify;" align="left"><span style="font-size:small;"><em>Dado en Roma, junto a San Pedro, el 29 de junio de 1881, año cuarto de nuestro pontificado.</em><br />
</span></p>
<hr />
<p align="left"><strong><span style="font-size:small;">Notas</span></strong></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">1. <em>Prov</em> 8,15-16.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">2. <em>Sab</em> 6,3-4.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">3. <em>Eclo</em> 17,14.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">4. <em>Jn</em> 19,11.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">5. San Agustín, <em>Tractatus in Ioannis Evangelium</em> CXVI, 5: PL 35,1943.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">6. <em>Rom</em> 13,1-4.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">7. San Agustín, <em>De civitate Dei</em> V 21: PL 41,167.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">8. San Juan Crisóstomo, <em>In Epistolam ad Romanos</em> hom.23,1: PG 60,615.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">9 San Gregorio Magno, <em>Epístola</em> 11,61.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">10. <em>Sant</em> 4,12.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">11. <em>Ef</em> 3,15.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">12. <em>Rom</em> 13,1-5. </span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">13.<em> 1 Pe </em>2,13-15.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">14. <em>Mt</em> 22,21.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">15. <em>Hech</em> 5,29.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">16. <em>Sal</em> 6,4-8. </span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">17. Rom 10,12.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">18. Cf. misa votiva<em> pro pace</em>, Poscomunión.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">19. <em>Tit</em> 3,1.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">20. <em>1 Tim</em> 2,1-3.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">21. Atenágoras, <em>Legatio pro Christ</em>. 1: PG 6,891 B-894A.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">22.Tertuliano, <em>Apologeticum</em> 35: PL 1,451.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">23. Tertuliano, <em>Apologeticum</em> 37: PL 1,463.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">24. <em>Epístola a Diognete</em> 5: PG 2,1174.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">25. Santo Tomás, <em>De regimine principum</em> 1,10.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">26. San Agustín, <em>De moribus Ecclesiae catholicae</em> 1,30:PL 32,1336.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">27. <em>Sal</em> 142(143),11.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size:small;">28. <em>Is</em> 32,18.</span></p>
<p align="left">
<p align="left">
<p align="left">Fonte: <a href="http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_29061881_diuturnum_sp.html">Vaticano</a></p>
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