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Posts Tagged ‘Dom Richard Williamson’

Dom Lourenço Fleichman OSB, publicou no site Permanência um texto intitulado “A escandalosa vinda de Dom Williamson ao Brasil – O Dia em que a Terra parou“. Disponibilizamos a brilhante resposta do Noel Neder, publicada no blog SPES.

A Terra gira parada.

Ou ainda: Pedro, as coisas não são bem assim

Noel Neder

Diz-se “jovem”, e eis o que acontece: – instala-se no Brasil um “jovem” que está acima do bem e do mal, ser terrível, absurdo. É irreal, mas não importa: – temos que acreditar no monstro. Note-se: – não no monstro como tal. Não, não. O monstro há de ser o Guia, o Líder. Nelson Rodrigues

             Dom Helder Câmara, cumprindo os exercícios elementares de sua cartilha comunista, utilizava com certa freqüência o termo “jovem”. Corção já escreveu sobre isso, e Nelson Rodrigues também. Outra palavra muito comum do nosso bispo comunista era: “mudança”. Lembro-me de uma frase mais ou menos assim: “Feliz daquele que entende que é preciso mudar muito para continuar sendo sempre o mesmo”. Creio que o livro chamava-se Rosas para Meu Deus.

            Os elementos estão todos aí. Fechem uma rua; coloquem algumas bandeiras; usem a carroceria de um caminhão como palanque; deem um microfone a um cabra com voz grossa e, antes que ele termine, gritem: “Já ganhou!”

            Pois bem, assim começa a fala, imagino que com muito mais simpatia fonética, do Dom Lourenço: “O dia em que a Terra parou”. Um monge do Rio de Janeiro que começa um artigo citando um roqueiro baiano para defender a Tradição católica? O que começa errado não termina bem. Esse Dom Lourenço é fogo!  Explicar a um aluno do ensino fundamental que a Inquisição foi boa seria uma tarefa muito mais simples.

            O mitômano[1] é detalhista, e a participação no seu mundo imaginário torna-se um imperativo categórico. Seu mundo não é simples, trata-se de um sistema muito bem elaborado onde as premissas (do seu sistema lúdico) devem ser consideradas válidas antes de qualquer argumentação. É como se eu tivesse a oportunidade de dizer a Chico Xavier que todas as suas palavras e escritos são mentiras. Imagino que ele responderia, com uma serenidade psicótica: “Eu te perdoo” ou algo do tipo: “Agora estamos quites pela outra encarnação”.

           Um dos clássicos da literatura infantil nos dá outro exemplo:

 “Regra Quarenta e Dois. Todas as pessoas com mais de um quilômetro de altura devem deixar a corte.

Todo mundo olhou para Alice.

Eu não tenho um quilômetro de altura, disse Alice.

Tem, disse o Rei.

Quase dois quilômetros de altura, acrescentou a Rainha.

Bem, não vou sair de jeito nenhum, disse Alice. Além do mais, essa não é uma regra regular, você acabou de inventá-la.

É a regra mais antiga do livro, disse o Rei.

Então deveria ser a Número 1, disse Alice.

O Rei empalideceu e fechou apressadamente o seu caderno de notas.”

Alice no País das Maravilhas
Lews Carroll

 

            O Senhor monge cria em sete pontos um verborrágico artigo, típico dos nervosinhos, tão somente para destilar sua bile contra Dom Tomás de Aquino.

“Eu tinha vontade de sacudi-lo, de mostrar que está em transe, que já não consegue mais raciocinar e ler o que realmente está escrito.”

            Todas as outras questões são acessórias, o principal está aqui.

“O que Dom Tomás diria, o que Dom Tomás faria, se um dos seus monges fosse à internet fazer críticas exageradas, caluniosas e irresponsáveis, contra o seu governo e contra a sua pessoa?”

            Lênin já dizia: “Acuse-os do que você faz”. Caro Dom Lourenço, responda-me, pois como o senhor lembrou muito bem: a internet está repleta de pessoas que mal conheceram a Tradição e se acham doutores da Igreja […]. O senhor é um monge sem mosteiro? É um monge diocesano? Como se dá a santificação de um religioso fora da vida comum? Como se dá a observância de seus votos de religião?

            Caro Dom Lourenço, o senhor diz que:

               Dom Tomás podia passar por cima da ordem das coisas e fazer Crismas marginais. Foi assim nos outros anos em que houve Crisma no Mosteiro? Foi assim quando organizou a patética Consagração das Virgens de duas religiosas desenganadas? Quando lhe convinha, Dom Tomás sabia muito bem usar a ordem normal das coisas, na Fraternidade. (grifo meu)

            Engraçado, o senhor escreveu em um artigo chamado “O Circo da Montfort”, de 2010 – recente –, que não mais encontrei em seu site, o seguinte:

6º erro do sr. Fedeli: Como o dono do circo começa o delírio chutando o palhaço para ver se ele chora e alegra a platéia, devo dizer que sou o último dos filhos de São Bento, mas não sou um “vagus”, que na linguagem da Santa Regra significa um monge “sem mosteiro, sem prior, sem abade”, como me acusa o inconsequente articulista. Sou monge do Mosteiro da Santa Cruz cujo prior é Dom Tomás de Aquino Ferreira da Costa. Se eu vivo no mosteiro ou não, isso não é da conta de ninguém, basta que as pessoas saibam que eu vivo na obediência. O que importa para as pessoas é saber se minha vida é escandalosa ou não. Aparentemente, devo me sentir em paz, pois tenho o respeito e a amizade de Dom Fellay, de Dom Galarreta, de Dom Tissier de Mallerais e, com muito orgulho, de Dom Williamson. Diga-me com quem andas e te direi quem és! (grifo meu)

            Caro Dom Lourenço, o senhor não se contenta e ainda tem a coragem de dizer: Dom Tomás tem esse mau costume de querer esconder-se, quando lhe convém.

 

             Continuemos…

 Aparentemente Dom Tomás e os 3 ou 4 padres que pregam a mesma posição, também não querem acordos com a Roma modernista. Mas o destempero de suas atitudes tenta impor, pela força do grito, sua opinião pessoal, pondo em risco a salvação das almas que a eles escutam. Por mais protegidos que estejam os meus fiéis, o escândalo causado por esses padres está por toda parte e deve ser reparado. (grifo meu)

             Quem está destemperado e aos gritos aqui? Vi um pequeno protesto do Pe. Cardoso, quando da lamentável declaração do Pe. Bouchacourt, que dizia o seguinte:

“até um simples padre, para agradar a seu chefe, tem o atrevimento de corrigir a um Bispo ou de inmiscuir-se na vida de uma congregação independente. Ameaça com romper pontes com os monges beneditinos do Brasil, quando já faz 20 anos que se gastam em criticar e somar-se aos ataques de um suposto monge exclaustrado faz 20 anos, vivendo por sua conta, e em desobediência absoluta à regra beneditina e à qual ele mesmo diz ser superior! Artimanhas que ele mesmo, como superior deste distrito, nos tratou de justificar e ocultar com mentiras, e que seus mandos aceitam e fomentam.”(grifo meu)

             O senhor vai dizer que isso é mentira?

            O ascetismo do Dom Lourenço é realmente impressionante. Vejamos como ele se refere a um dos grandes escândalos da Tradição dirigidos por Dom Fellay, algo até então nunca visto:

Quando Dom Tomás escreveu isso, já era de conhecimento público a realização das ordenações desses capuchinhos e dominicanos, em Bellaigue, no próximo dia 11 de outubro. Mais uma vez, o tempo parou em Nova Friburgo, e Dom Tomás continua a fazer críticas atrasadas.

            O cancelamento das ordenações ultrapassa as questões temporais, não estamos falando de uma ida ao cabeleireiro. Como podemos auferir os bens espirituais que não foram dispensados com o cancelamento, abrupto e inesperado, das ordenações? Quantas missas deixaram de ser celebradas até “o próximo dia 11 de outubro”? Muitos dos religiosos que iriam ser ordenados eram estrangeiros. Suas famílias gastaram pequenas fortunas, acumuladas no decorrer dos anos, para esse momento.

            Os capuchinhos estavam em Écône, em retiro, quando foram avisados de que Dom Fellay suspendera as ordenações para se “assegurar da fidelidade das comunidades amigas à Fraternidade”.

            Isso, sim, é um escândalo. Todavia, não menor do que um religioso que não se compadece dos seus confrades.

            Vários outros pontos poderiam ser abordados, mas considero que o fulcral é o seu ódio a Dom Tomás de Aquino. É o tão conhecido “não servirei”.  O resto são conseqüências. Sua percepção da Tradição no Brasil, ou mesmo da Coreia, é tão segura quanto pode ser a visão de um míope no fundo de uma piscina.

            Um monge sem mosteiro que fala pelos cotovelos e que tem vontade de “sacudir” outros monges mais velhos… Desculpe, mas fico pouco à vontade para o chamar de “Dom”. Pe. Pedro, nesse seu mimetismo de ser e não ser simultaneamente, é o termo mais adequado, ou mesmo mais “jovem”.

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[1] Mentiroso compulsivo mente com tanta convicção, que é capaz de crer na própria mentira. Faz da mentira sua principal qualidade. Adquire dependência da mentira e passa a ter necessidade de mentir.

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